ALERTA - Bichos que viram risco no verão
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domingo, 22 de dezembro de 2013
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Com a chegada dos dias quentes, uma ameaça passa a rondar os moradores de áreas urbanas e rurais: os acidentes envolvendo animais peçonhentos. A temporada de férias e o maior número de passeios em áreas de mata e morros também potencializam os riscos. No Paraná, há pelo menos seis espécies que podem levar a ocorrências graves, capazes de levar até à morte: abelhas, aranhas, serpentes, lagartas, escorpiões e, mais recentemente, as arraias, que vêm subindo a Bacia do Rio da Prata e se proliferando no Rio Paraná e seus afluentes.
Só este ano, até o último dia 11, foram registrados 10,4 mil acidentes com animais peçonhentos no Paraná. Nos últimos seis anos foram feitas 94,8 mil notificações. Os dados são da Divisão de Zoonoses e Intoxicações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
Na região de Londrina, as notificações referentes a 2013, até aquela data, já superaram o total de 2012. Segundo a Diretoria de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, são 231 registros este ano, contra 213 ao longo de todo o ano de 2012. Entre os casos de 2013 chamaram a atenção ataques de abelhas africanizadas (espécie híbrida resultante de europeias com africanas), como o que levou à morte o caseiro Aparecido Gouveia Terra, de 56 anos, no fundo de vale do Ribeirão Quati (Zona Norte da cidade), em janeiro. Ele recebeu cerca de 3 mil picadas.
Há menos de dois meses, a mesma experiência foi vivida pelo casal Vilma Ribeiro Lacintra, de 70 anos, e Mauro Lacintra, de 71, de Cambé (Norte). Tão cedo eles não conseguirão apagar da memória a sensação de ter o corpo tomado por centenas de insetos. Vilma, que levou cerca de 800 picadas e foi a principal vítima das abelhas, só agora começa a retomar as atividades de dona de casa. "Fiquei muito inchada e cheia de manchas rochas. O veneno também comprometeu bastante meus rins", conta ela, referindo-se à insuficiência renal provocada pelo veneno, que é tóxico para as células deste órgão.
O acidente com a dona de casa e o marido aconteceu no dia 30 de outubro, quando visitavam amigos que moram em uma propriedade rural no final da Estrada do Limoeiro (Zona Leste de Londrina), às margens do Rio Tibagi. Foi preciso mais de um mês para que ela recuperasse o olfato e o paladar. "Faz poucos dias que eu voltei a sentir o gosto da comida."
De acordo com a farmacêutica Conceição Turini, coordenadora do Centro de Informações Toxicológicas (CIT), que funciona no Hospital Universitário (HU) de Londrina, as picadas de abelhas podem provocar reação alérgica muito grave, dependendo do organismo. Não existe soro para neutralizar o veneno, que é absorvido muito rapidamente. "Acima de 100 picadas, já é bem preocupante. O socorro deve ser feito muito rapidamente", alerta a coordenadora. Segundo a farmacêutica, rosto e pescoço devem ser protegidos imediatamente, em caso de ataque, pois as picadas nestas regiões apresentam maior risco de paradas cardiorrespiratórias. As abelhas não são capazes de picar por cima da roupa.
A coordenadora do CIT esclarece que como nos meses da primavera e verão acontecem as floradas, é comum o fenômeno do enxameamento migratório, resultante da mudança das colmeias de um local para outro. "As pessoas normalmente tentam retirar os enxames e neste momento acontecem os ataques. É importante não mexer com as abelhas, pois elas têm uma grande percepção de vibração e, ao sentirem-se ameaçadas, partem para o ataque", explica Conceição. (Leia mais nesta edição)


