Modelo no sistema de gerenciamento da produção agropecuária, o cooperativismo paranaense, responsável pelo recebimento de mais de 70% da produção de grãos do Estado, começou a ganhar força a partir da década de 1980. Nelson Costa, superintendente adjunto da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) destacou, durante a sua apresentação no EncontrosFolha, que o futuro do setor será de constante crescimento graças ao aumento contínuo que o mundo irá ter em relação à demanda por alimentos.

Costa apontou que as cooperativas do Paraná estão sofrendo com a crise econômica brasileira, principalmente em relação à retração da renda do brasileiro e o aumento dos custos de produção, reflexo do encarecimento da energia elétrica, mas reforçou que o setor cooperativista continua investindo para apostar no mercado pós-crise.

Investir na agroindustrialização é uma das estratégias das cooperativas agropecuárias do Paraná. Além dos grãos, as agroindústrias têm focado na produção de cortes de aves, peixes e mais recentemente no processamento de suínos. "Estamos buscando novos mercados com este segmento", destacou o superintende da Ocepar.

Prova do otimismo das cooperativas do Estado, enfatizou Costa, está a criação do PRC100. Criado no ano passado, o Paraná Cooperativo 100, tem por objetivo chegar a um faturamento de R$ 100 milhões, em cinco anos, a partir de 2014. No ano passado, as cooperativas paranaenses arrecadaram R$ 50 milhões. "Para chegarmos a esse valor, estamos investindo na capacitação de todos, preparando principalmente para o pós-crise", assinala Costa.

Neste ano, o superintendente da Ocepar enfatizou que deverão ocorrer dois eventos internacionais voltados para a capacitação de líderes nas cooperativas. "Ficar reclamando da crise não ajuda, é preciso pensar lá na frente", sublinhou o dirigente. A média de investimentos em todo o setor, principalmente em novas indústrias, tem ficado na casa dos R$ 3 bilhões por ano.

Buscar soluções para vencer os gargalos relacionados à infraestrutura, como armazenagem e escoamento da produção, é um desafio para o setor, frisou o superintendente da Ocepar. Uma das necessidades é o aumento da capacidade de cargas dos navios, cita ele. A instalação de novos portos nas regiões Norte e Nordeste do País, por exemplo, deverá melhorar a infraestrutura brasileira.

Elevar o ritmo de aumento da produção agrícola é outro desafio. Segundo Costa, a média de crescimento do setor tem sido em torno de 1,5% ao ano. Contudo, avaliou ele, o ideal seria crescer 3% ano a ano, ou seja, o dobro.

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