Carrinheiros e agenciadores confirmam os detalhes repassados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) sobre as condições vividas nos depósitos espalhados por Curitiba, mas negam que exista qualquer tipo de exploração trabalhista. O sucateiro Jazon Rodrigues Verdeiro, proprietário de um pequeno depósito na Vila das Torres, disse que tem atualmente entre sete e dez carrinheiros sob o seu comando. Todos trabalham com o carrinho emprestado por ele. ''Eu dou abrigo e eles não pagam aluguel, luz ou água. O que eles ganham podem gastar com alimentação e lazer'', salienta.
Todos os carrinheiros vivem num mesmo depósito. As casas são separadas e tem apenas duas peças. ''Eu pago tudo para eles e compro o material trazido no dia. Depois revendo para a fábrica. Não sobra muita coisa para mim, mas dá para comer e viver. O que eu ganho dá para custear as despesas e sobra um pouco'', afirma.
Cada carrinheiro carrega por dia entre 100 e 200 quilos de lixo reciclável. Verdeiro paga o quilo de papel por R$ 0,06 e vende por R$ 0,11. O plástico classificado é comprado por R$ 0,05 a R$ 0,15 e vendido por R$ 0,15 a R$ 0,40. Jornal velho, papel misto e retalhos estão sendo rejeitados por ele. Este material tem preço de venda em R$ 0,03.
Os trabalhadores recebem semanalmente, todos os sábados. ''Tem vários depósitos como o meu em todas as vilas de Curitiba. Todos vivem do papel. Dos negociantes até os carrinheiros'', diz. Na Vila das Torres, por exemplo, cerca de 1,2 mil pessoas vivem do papel. ''Não existe exploração. Todos precisam.''
A carrinheira Eva Souza da Rosa, 50 anos, mora num depósito da Vila das Torres. Ela trabalha há sete anos catando material reciclável e diz que se não tivesse lugar para morar, não teria como sobreviver. ''Não tenho dinheiro para comprar um carrinho. Trabalho a manhã inteira e consigo tirar o sufiente para viver. Não é fácil. Mas trabalho como dá'', afirmou ela.
Daniela Gonçalves Ramos, 19, trabalha desde os nove anos de idade nas ruas de Curitiba e mora com o marido e o filho de 2 anos num depósito. ''Me criei dentro de um carrinho e aprendi a fazer isto. Para mim, nos últimos dois anos as coisas pioraram por causa da concorrência. Antes eu fazia meia carga num trajeto pequeno, agora tenho que caminhar muito para completar a carga'', contabiliza.
A carrinheira Nadir Gonçalves, 50, está há 30 anos coletando lixo reciclável e classifica todo o material antes de entregar ao sucateiro. ''A vida está cada vez mais difícil. A gente faz o que dá. O preço do papel está baixo. Tem semanas que a gente mal consegue viver'', declara. Nadir conta que trabalha mesmo com chuva para evitar as multas. ''O dinheiro mal dá para se alimentar. Se não trabalhar é ainda pior. Tem que desenbolsar o que a gente nem tem'', reclama. (L.P.)

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