Afastamento do trabalho e danos psicológicos
O aumento nos pedidos de avaliação na Agência da Previdência Social (APS) de Cambé por consequência de acidentes de trânsito despertou a atenção do médico Flávio Henrique Muzzi Sant'Anna, que atuou como perito na unidade e realizou um estudo inédito para o mestrado em Saúde Coletiva da UEL. Ele analisou as características, lesões e benefícios concedidos entre segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) do município, no ano de 2011.
Foram avaliadas 241 vítimas, sendo predominante o sexo masculino, entre 18 e 39 anos, e residentes de Cambé. Dos acidentes de transporte, 96,7% foram ocorrências de trânsito, com prevalência dos ocupantes de motocicletas (72,2%) no trajeto de casa ou do trabalho.
Em relação à incapacitação, do total de vítimas, 80 tiveram de 91 a 120 dias de tempo de incapacidade (33,2%) e os gastos com benefícios foram de R$ 545,01 a R$ 1.107,52 para 174 delas (72,2%), sendo desse percentual, 70,1% para ocupantes de moto. O gasto total com benefícios chegou a R$ 818.503,27.
De acordo com os dados do Ministério da Previdência Social (MPS) publicados no início de 2012, houve um aumento nas despesas em relação aos acidentes de trajeto. As despesas passaram de R$ 850 milhões em 2009 para R$ 1,16 bilhão em 2011, representando uma diferença de 37%. Para Sant'Anna, é importante considerar três fatores preocupantes em relação ao aumento de acidentados no trânsito.
O primeiro, segundo ele, é o sofrimento pessoal quando se tem uma lesão grave. ''Gera uma incapacidade para o trabalho, consequentemente dificuldades financeiras e danos psicológicos'', diz. O segundo é a demanda no Sistema Público de Saúde, com a sobrecarga de atendimentos, e por fim os gastos com a Previdência Social. ''O que vale ressaltar é que essa realidade pode ser diferente, se considerarmos que muitos dos acidentes de trânsito podem ser prevenidos'', afirma. (M.O.)





