AEROPORTOS - Movimento cresce mais no interior
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de dezembro de 2012
Fábio Galão <br> Reportagem Local 
Com o barateamento das passagens e a ascensão da chamada classe C, a aviação comercial brasileira vive já há alguns anos um processo de expansão acentuada. Dados da Infraero (a estatal que administra os principais aeroportos do País) trabalhados pela reportagem da FOLHA mostram que esse crescimento está sendo mais intenso fora das capitais.
A Infraero é responsável por 66 aeroportos, pelos quais passaram aproximadamente 160,6 milhões de passageiros entre janeiro e outubro deste ano. Assim como havia ocorrido em 2011, os 35 aeroportos localizados nas 27 capitais brasileiras ou nas respectivas regiões metropolitanas concentraram mais de 90% do fluxo. Mas, na comparação com o mesmo período no ano passado, o movimento cresceu menos do que nos outros 31 terminais sob responsabilidade da Infraero.
Pelos aeroportos localizados no interior brasileiro ou em municípios litorâneos que não pertencem a regiões metropolitanas de capitais, passaram nos 10 primeiros meses de 2012 cerca de 15,8 milhões de passageiros, o que representa um crescimento de 14,55% em relação ao registrado entre janeiro e outubro do ano passado. O aumento não chegou à metade disso nos aeroportos de capitais, onde o fluxo de embarques e desembarques variou 7,18%.
O comandante José Roberto Ribeiro, coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da Escola Superior de Aviação Civil (Esac), explica que esse aumento maior de movimento nos aeroportos do interior brasileiro é resultado de mudanças demográficas e econômicas do País.
''Vivemos uma tendência de interiorização da atividade produtiva no Brasil, e um dos reflexos do crescimento econômico é o aumento do movimento nos aeroportos. É um momento de atração (do mercado de aviação comercial) para o interior'', afirma Ribeiro.
Em nota enviada à FOLHA, a Infraero alegou que ''os números da aviação regional estão relacionados ao crescimento da aviação como um todo'', e que seriam ''resultado do crescimento econômico do País, com o aumento da participação da classe C em novos serviços e atividades''. A estatal também destaca que o investimento de empresas em voos regionais tem fortalecido o setor.
A Infraero aponta que no próximo ano deve investir R$ 1,5 bilhão em todos os aeroportos que administra, e cita como exemplos melhorias que estão sendo feitas ou planejadas em Foz do Iguaçu, Joinville (SC), Imperatriz (MA), Macaé (RJ) e Ilhéus (BA). Em Foz, está sendo realizada desde março a reforma do terminal de passageiros, obra orçada em R$ 68,8 milhões e que deve ampliar a capacidade de 2,7 milhões para 3,9 milhões de passageiros por ano. A reforma deve ser concluída em setembro de 2013.
O executivo Jorge Yoshii, de Londrina, trabalha com exportação de soja. Ele relata que tem viajado mais de avião. Há alguns anos, passava pelo aeroporto uma vez a cada três meses. Hoje, faz pelo menos uma ou duas viagens de avião por mês. ''O trabalho exige, faz com que as empresas trabalhem com mais pontualidade, em velocidade maior, com mais profissionais polivalentes e competitividade'', justifica.
Yoshii afirma que tem percebido um movimento crescente nos aeroportos brasileiros, mas que em geral falta estrutura nos terminais. ''Tem que investir mais'', cobra o executivo.


