Criada em Cascavel há dois anos, a Sol Linhas Aéreas sempre destacou que o seu objetivo era disponibilizar voos comerciais entre cidades paranaenses de médio porte. Até recentemente, a empresa oferecia linhas diárias entre Toledo, Umuarama e Curitiba. Entretanto, em outubro, a Sol teve que suspender os trabalhos, atendendo determinação da Anac.
Em novembro, a empresa informou que pretende retomar os voos em abril e apontou três razões para suspender os serviços: falta de balizamento para voos noturnos no Aeroporto de Toledo, reforma no terminal de Cascavel e início de adequações em Umuarama. ''Há muitas dificuldades para trabalhar em cidades de médio porte, em que os terminais não são administrados pela Infraero'', diz Marcos Solano Vale, presidente da empresa. ''A população brasileira já está enxergando o transporte aeroviário como um item de primeira necessidade. Esperamos que as prefeituras, os governos estaduais e Federal percebam que é muito mais fácil investir em dois mil metros de pista de aeroporto do que procurar duplicar rodovias'', completa Vale.
O empresário aponta que a Sol pretende, além de retomar as linhas que vinha operando, oferecer serviços em mais cidades do interior paranaense, como Londrina e Maringá. ''O Paraná vai crescer muito nos próximos anos e vamos precisar de mais voos diários ligando o interior a Curitiba'', justifica.
Investigação
Em novembro, a Promotoria do Patrimônio Público de Umuarama ingressou com ação civil pública contra a Prefeitura local e a Sol Linhas Aéreas. Segundo o promotor Fábio Hideki Nakanishi, uma investigação apontou que a criação dos voos comerciais em Umuarama teria indícios de irregularidades: o termo firmado entre a Prefeitura e a empresa não seria regulado por lei, não teria havido concorrência para operação de voos comerciais no aeroporto local e teria sido usado dinheiro público com cotas de passagens e publicidade.
''O Ministério Público solicitou a suspensão do termo, a restituição aos cofres públicos do que foi pago e condenação por improbidade dos envolvidos'', afirma Nakanishi. Marcos Solano Vale, da Sol, nega qualquer irregularidade. ''Para operar em Umuarama, tivemos prejuízo atrás de prejuízo'', garante.
A Prefeitura de Umuarama diz que presta informações ao MP, ressalta que a autorização para voos parte da Anac, e que, na assinatura de termo de cooperação técnica entre Prefeitura e a Sol, foi definido apenas que o poder público incentivaria a utilização dos voos comerciais. A Prefeitura alega que nenhuma iniciativa exigiu gasto público e ainda aponta que a utilização dos serviços da Sol teria se dado por meio de licitação. (F.G.)

mockup