Adolescentes detêm elevado percentual nas estatísticas
A gravidez na adolescência foi o tema escolhido pelo Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna e Infantil para o trabalho de seus 22 comitês nacionais e 160 municipais nos anos de 2000 e 2001. Segundo a assessora do comitê paranaense, Vânia Muniz Nequer Soares, 14% dos casos de morte materna ocorridos no Paraná em 1999 foram de adolescentes mulheres com idade entre 10 e 19 anos. No ano passado, o índice subiu para 16%.
Muitas de nossas avós foram mães adolescentes. Mas o contexto era diferente. Havia na época uma união conjugal estável e hoje ocorre a gestação muitas vezes sem o apoio do parceiro e frequentemente indesejada, lembra o médico ginecologista e obstetra Luiz Carlos Baldo, membro do comitê londrinense. Ele informa que, segundo dados de 1999, o índice de gestantes adolescentes no Brasil foi de 25%. No Paraná, segundo o médico, 43 mil adolescentes engravidam anualmente (22,5%). A cidade com maior casos é Paranaguá (26,7%). Em Londrina, a taxa é de 20,9%. Conforme o censo de 1991, a população de adolescentes no Brasil é de 32 milhões sendo 1,9 milhão no Paraná.
Na opinião do médico, falta o engajamento da sociedade na prevenção do problema. A educação sexual é papel da família e da escola, afirma. Segundo ele, a gravidez na adolescência diminui a qualidade de vida das mulheres, já que nessa fase a gestação é considerada de alto risco, sem falar que a maioria das meninas abandonam a escola e emprego para cuidar dos filhos.
Na tentativa de envolver os adolescentes na prevenção da gravidez, as regionais de saúde e educação do Paraná se uniram e realizaram concursos voltados aos estudantes do ensino fundamental e médio de escolas públicas. No ano passado, a proposta foi a composição de uma música com o tema gravidez na adolescência. As duas escolhidas estão em um CD produzido pela Secretaria Estadual de Educação.
Este ano, os estudantes foram convidados a criar histórinhas em quadrinhos também com o mesmo tema. Até a última quarta-feira, o Núcleo Regional de Educação de Londrina, que reúne 19 cidades, já havia recebido 145 trabalhos. O tema Gravidez na Adolescência não é Brincadeira é mais uma oportunidade de debate e conscientização para nossos alunos, que necessitam com urgência desse diálogo com a família, a igreja, a escola, enfim, a sociedade como um todo, na tentativa de desenvolver uma maior maturidade emocional, diz Valéria da Silva Marques Assis Rubo, assistente de projetos especiais do Núcleo.
Na última sexta-feira era dia de atendimento médico no Centro de Referência ao Atendimento do Adolescente de Londrina (Craal) para as meninas grávidas. J.C.S, 17 anos, foi ao centro para uma revisão e levou a filha de 10 dias. Moradora da periferia de Londrina, ela é o exemplo claro de como uma gravidez não planejada pode mudar a vida de uma garota. Na hora que contou a novidade para o namorado, acabou levando o fora. Apesar do apoio da família, precisou abandonar a escola, onde fazia o primeiro ano do ensino médio.
J.C.S. sabia como evitar a gravidez, mas diz que marcou bobeira. Ela conta que o namorado recusava usar preservativo e a menina tinha receio de tomar anticoncepcional escondido dos pais. Apesar da felicidade de ter uma filha, ela espera que o seu exemplo não seja seguido pelas amigas. Não é fácil ser mãe solteira na adolescência, resume.
Depois de fugir de casa com o namorado, A.A.P., 15 anos, ficou grávida e está agora no terceiro mês de gestação. Ela também sabia sobre métodos anticoncepcionais, apesar de nunca ter ido a um ginecologista. Mas meu namorado não gostava de usar camisinha, conta. A 6ª série do ensino fundamental ficou para trás e hoje, enquanto espera a chegada da criança, a insegurança preocupa a menina: para onde ir com o filho caso o relacionamento com o marido, de 21 anos, não dê certo?
J.L.R e L.J.B., ambas com 15 anos, deixaram a casa dos pais para morar com os namorados antes de ficarem grávidas. Enquanto a primeira não se mostra preocupada em voltar a estudar ou trabalhar, L.J.B. faz planos de deixar a criança em uma creche e arrumar emprego de doméstica ou babá para ajudar no orçamento doméstico. O parto de L. está previsto para o início de junho, enquanto J. deve ter o bebê no começo de julho. (A.D.C.)





