Paciente oncológico, Redimir Marcomini já ouviu as mais variadas "receitas" de cura e prevenção do câncer
Paciente oncológico, Redimir Marcomini já ouviu as mais variadas "receitas" de cura e prevenção do câncer | Foto: Gina Mardones



Alarmado com tantas mensagens e procura de pacientes a respeito do conteúdo compartilhado falsamente em seu nome, o cirurgião oncológico em Londrina, Rafael Onuki Sato, procurou o CRM (Conselho Regional de Medicina) que o orientou a esclarecer o fato publicamente, no próprio site e nas redes sociais, e a registrar um boletim de ocorrência.

O delegado do 1° DP (Distrito Policial) de Londrina, Edgard Soriani, ressalta que o correto é sempre registrar o fato. "É importante fazer o boletim de ocorrência para podermos encaminhar o caso para as delegacias especializadas, quando necessário. O boletim pode ser registrado em qualquer delegacia", incentiva.

Ele acredita que o crime no qual o médico foi vítima é o de falsa identidade (art. 307 do Código Penal que descreve o crime em atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem). "A identidade da vítima foi utilizada para dar credibilidade ao conteúdo. Já os crimes de falsidade ideológica se caracterizam mais pela falsa ideia dentro de um documento verdadeiro", diferencia.

Entretanto, ele cita que muitos crimes de falsa identidade podem estar associados a outras práticas, como por exemplo, o crime de estelionato ou de falsidade ideológica. Em crime de falsa identidade, o Código Penal impõe a pena de detenção de três meses a um ano, ou multa, se do fato não constitui elemento de crime mais grave.

Ainda de acordo com o delegado, em situações como a do cirurgião, é muito difícil chegar ao autor. "Na maioria dos casos, essas notícias são postadas por pessoas que têm um certo conhecimento em informática. Em 99% dos casos, contamos com o apoio da delegacia especializada porque a investigação vai depender da quebra de dados e intervenção judicial, o que pode levar muito tempo", afirma.

O médico acredita ser difícil identificar o autor do conteúdo compartilhado falsamente em seu nome, mas não deixa de fazer um alerta aos pacientes. "Não acredite em tudo que ouve. Pesquise, busque a opinião de uma fonte confiável, seja de um profissional ou mesmo na internet, em páginas de instituições sérias", orienta.

Redimir Marcomini, que está em tratamento de um tumor na região do pescoço revela ter chegado a uma conclusão após tantos palpites de familiares e amigos para curar o câncer. "Seguir o tratamento certo é a melhor receita. A verdade é que acredito muito mais na fé em Deus e nas mãos dos médicos", enaltece.

A assessoria de comunicação da Polícia Civil do Paraná informou que apenas o delegado do Nuciber (Núcleo de Combate aos Cibercrimes) pode dar entrevistas sobre o assunto e que o mesmo está em férias. A Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná) que detém os dados de boletins de ocorrência não conseguiu fornecer os números relativos aos crimes de falsa identidade ou falsidade ideológica em tempo para esta edição. (M.O.)

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