Ações devem incluir vítimas e agressores
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domingo, 12 de fevereiro de 2012
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
''Vivemos numa sociedade que não sabe resolver conflitos e sobrecarrega o Judiciário e o sistema penal. De nada adianta ter uma lei quase perfeita, boa vontade dos operadores do Direito, se não tivermos uma cultura de paz. Isso só se constrói com investimento em educação'', declara Sandra Lia Barwinski, presidente da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR).
Na opinião de Sandra, as ações devem envolver todos os agentes da sociedade, além de entidades e órgãos públicos. ''A lei fala em integração. Esta, portanto, deve contemplar professores, médicos, juízes, policiais, para que todos atuem em conjunto junto àqueles que precisam de formação especial e continuada'', diz, ressaltando a importância de uma estrutura que contemple tanto a vítima - incluindo mulher e filhos - quanto o agressor.
Membro do Centro de Estudos da Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a docente Priscilla Placha Sá, corrobora com a opinião de que o instrumento penal é o que menos deveria ter destaque na situação de violência doméstica. ''Com exceção dos casos gravíssimos como homícidios e estupros, as demandas coletivas teriam de ser vistas com olhar diferente da repressão penal'', resume.
Ou seja, resolver o problema da violência doméstica apenas com medidas judiciais e punitivas não é a saída. ''Simbolicamente, a intervenção judicial é importante e deve tratar de questões emergenciais. Mas se fosse assim, cada mulher com medida protetiva deveria ter um PM na porta de casa. O Estado não consegue atender toda demanda, assim como nos casos de roubo, furto. E o agressor sabe da fragilidade do Estado. Temos de combater a causa.''
Portanto, medidas alternativas e complementares, conforme ela, poderiam funcionar como mecanismos de defesa não violentos e eficazes. ''O primeiro passo é tentarmos mudar a cultura da violência. Todos precisam de tratamento: vítimas e agressor. Os primeiros para superarem o trauma. O segundo, para que não continue com o mesmo comportamento após a sentença. Muitos não se veem como criminosos apesar do histórico de agressividade'', completa a advogada.


