Ações chegam aos jovens e adultos
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de agosto de 2001
De Curitiba 
No Ano Internacional do Voluntariado, é justamente o idealismo de pessoas e empresas que estão ajudando a reduzir o analfabetismo no Estado. Uma iniciativa que chama a atenção é o Programa Luz das Letras, elaborado pela Copel no ano passado e que usa o computador como ferramenta de ensino.
A idéia, de acordo com o coordenador do programa Lindolfo Zimmer, era unir a filosofia de empresa cidadã à vontade de muitos funcionários de atuarem como voluntários. A empresa desenvolveu um software e com a doação de equipamentos sucateados por outras empresas já alcança 1,3 mil alunos no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Hoje existem 29 laboratórios para aulas, sendo 12 na Copel. O programa também envolve 209 professores voluntários, quatro contratados e 37 estagiários.
Mais do que a alfabetização, o Luz das Letras prevê o ensino de 1ª a 4ª série, com a vantagem de ser realizado em menos tempo. A previsão é que os alunos concluam o ensino fundamental em 200 horas contra as 3,2 mil horas no ensino regular. Todos os cursos dirigidos a jovens e adultos seguem a linha do educador Paulo Freire, que prevê que o ensino seja feito conforme a realidade e entendimento de cada um.
O Colégio Bom Jesus desenvolve dois projetos nesta área. O Projeto Voluntário de Alfabetização de Jovens e Adultos (Proalfa) existe desde o ano passado, e funciona de segunda a quinta, das 19 às 21h30, na sede do Bom Jesus Água Verde. Dez professores trabalham como voluntários.
Todos têm uma história de vida bastante sofrida, e o tempo do curso depende da maturação de cada um, diz a coordenadora do Núcleo de Ação Comunitária do Bom Jesus, Vanilda Galvão. A frequência nos cursos também é variável. Muitos são catadores de papel, e quando o preço do produto cai eles não vem para aula porque têm que pegar mais papel para ganhar mais, explica.
O Bom Jesus tem, ainda, o Projeto de Educação de Jovens e Adultos (Proeja), que visa a escolarização até a 4ª série. O projeto funciona no Bom Jesus Nossa Senhora de Lourdes, no bairro Cristo Rei, é gratuito e vinculado à Secretaria Estadual de Educação.
Com um índice de 5,1% de analfabetos absolutos em Curitiba e região metropolitana e de 16,9% de analfabetos funcionais, a Prefeitura de Curitiba também tem diversos projetos para erradicar o analfabetismo. O Educação para Jovens e Adultos (Eja) atende 6.977 alunos em 100 escolas de várias regiões da cidade, com aulas de segunda a sexta das 19 Às 22 horas. Além da alfabetização, o Eja também prevê o ensino fundamental.
Já o Hora-Eja é aberto à participação da comunidade, como voluntária para ensinar. Hoje, o Hora-Eja existe em 20 locais, entre associações de moradores, clubes, casas de pessoas e igrejas, tem 20 voluntários e atende 275 alunos. (M.G.)


