Abusadores são próximos das vítimas
Geralmente os abusadores têm ligação de parentesco com as vítimas. Em Londrina a situação não é diferente. ''Normalmente é aquele indivíduo acima de qualquer suspeita, que se relaciona muito bem, que tem religião, que é trabalhador. A maioria dos casos é intrafamiliar, seja o pai, o padrasto ou parente muito próximo'', define a promotora Suzana de Lacerda, da 6 Vara Criminal. ''Na hora do interrogatório a maioria nega, mesmo com todas as evidências'', acrescenta a juíza Zilda Romero, da 6 Vara.
A delegada Margareth Alferes de Oliveira Motta, do Núcleo de Proteção a Criança e Adolescentes Vítimas de Crime (Nucria) em Curitiba, enfatiza que os caso de violência sexual são difíceis de resultarem em flagrante. ''Normalmente são situações que se repetem por anos e acabam aparecendo.''
Por essa característica, as autoridades que investigam as denúncias encontram dificuldades para reunir provas materiais suficientes para efetivamente punir os acusados. ''As acusações acabam baseando-se em avaliações psicológicas das crianças'', diz, acrescentando que denúncias de várias vítimas de um mesmo agressor constituem prova importante. ''Não fica a denúncia de um contra o outro.''
Na avaliação dela, a mudança na legislação estabelecendo que não é preciso haver consumação da relação sexual para caracterizar o estupro foi um avanço. ''Mesmo que não se consiga condenar o acusado, é possível tomar providências para proteger a vítima'', avalia.
Segundo a delegada, as denúncias são importantes para identificar os casos mesmo quando não há provas suficientes para condenação. ''Como a punição é severa, o medo de ser acusado de violência sexual acaba inibindo o agressor.'' (C.A. e D.M.)





