A terra do sol nascente é aqui
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sábado, 13 de outubro de 2001
Karla Matida<br> Enviada a Assaí 
Fundada por japoneses em 1932, Assaí (Assahi - Sol Nascente) ficou conhecida como a cidade mais japonesa do Paraná. A fama já teve razão de ser quando cerca de 18% da população era nipônica. Hoje, segundo o vereador Luiz Shirai, o número não chega aos 10%. ''Não são dados oficiais, porque só o IBGE poderia afirmar corretamente'', diz.
O êxodo para o Japão é a principal justificativa para a diminuição da população, que vê seus parentes indo morar do outro lado do mundo em busca de empregos e melhores salários. As histórias dos dekasseguis já são mais do que conhecidas. Mas como fica a cidade, e principalmente a cultura japonesa?
Tudo depende de (muita) força de vontade de algumas pessoas, que se empenham em transmitir para os filhos ou netos. O esforço de pessoas como o vereador Shirai e do presidente da Sociedade dos Amigos de Assaí (Sama), Francisco Shirashigui, segue o exemplo do agricultor Tsuruo Tanno (leia texto nesta página), grande incentivador das tradições japonesas no Brasil.
Foi Tanno quem introduziu as festividades do Tanabata Matsuri (festival das estrelas) no Brasil, primeiro em São Paulo e depois em Assaí, que encerra hoje a quinta edição do festival, no Parque Ikeda. Depois de três anos de interrupção, o festival volta a acontecer. Não é por coincidência que o prefeito atual é o nikkey Mario Sato (PSDB). De acordo com o vereador Shirai, o retorno do Tanabata Matsuri estava entre as propostas da campanha eleitoral.
Assim como o ex-prefeito Yoshinori Fukuda, que em 1994 procurou Tsuruo Tanno para que fizessem algo que marcasse a cultura japonesa na cidade, Sato e Shirai também buscam resgatar as origens nipônicas. ''Mas está muito difícil encontrar pessoas que se empenham nisso'', explica Shirai, coordenador geral do Festival das Estrelas.
De acordo com o Shirai, a crise financeira - que força os dekasseguis a irem ao Japão, e a desagregação familiar são os fatores que prejudicam a manutenção da cultura japonesa em Assaí. ''Meus filhos ainda são pequenos, mas assim que tiverem idade vou colocar na escola japonesa, no beisebol e eles também vão cantar'', afirma Shirai.
''Desde os meus 14 anos venho me empenhando em manter e divulgar a tradição para não vê-la morrer'', conta o vereador, que se entristece ao falar do número reduzido de jovens que participam das associações da colônia. ''Falta um líder jovem'', completa. O departamento jovem da Sama tem apenas 11 participantes, segundo o presidente Francisco Shirashigui.
Para o ano que vem, Shirai quer ver um sonho antigo concretizado, a inauguração de um museu histórico na cidade. ''Existem coisas muito interessantes aqui, e com o museu vamos ajudar a preservar a história da colônia'', planeja.
No próximo dia 1º de dezembro, a Sama irá comemorar 50 anos de fundação. Hoje, são 230 famílias associadas e pagantes - já foram 600, segundo Shirashigui. ''Quem tem mais de 70 anos não paga'', explica o presidente da entidade, que no mês que vem irá promover o Keiro-kai, uma homenagem aos mais velhos. ''São 200 senhores e senhoras com mais de 70 anos'', conta.
Em Assaí, a colônia nipônica tem, além da Sama, outras 12 associações (na zona rural), que são filiadas à Liga das Associações Culturais de Assaí (Laca).
Em tempo, nas comemorações do cinquentenário da Sama, nada de sushi e sashimi, o prato principal será porco no rolete, preparado por um especialista de Toledo.


