Com três passagens pela prisão por tráfico de drogas, a detenta Luiza (nome fictício), 42 anos, de Londrina, se orgulha de nunca na vida ter experimentado qualquer substância entorpecente ilícita. Sozinha e com três filhos para criar, ela entrou para o mundo do crime seduzida pelo dinheiro fácil do tráfico de drogas.
''Trabalhava como camareira, tinha diploma e tudo'', lamenta a presa, que em busca de mais recursos para manter a casa e os filhos, passou a trabalhar para o tráfico. ''Não fui influenciada por ninguém. Ouvia as pessoas dizendo que ganhavam dinheiro com venda de drogas e fui atrás para descobrir um jeito de entrar no negócio'', revela. Ciente dos riscos, Luiza não imaginava, entretanto, que ia ''cair'' tão rápido. ''Fui presa com menos de um ano traficando. Me arrependi e chorei bastante, principalmente porque o pai levou meus filhos para outro Estado'', relata a presa, que ficou três anos na cadeia.
De volta à liberdade, foi procurar emprego como camareira, mas só encontrou portas fechadas. ''Fiquei seis anos cuidando de carros na rua, sem dinheiro para comprar comida e pagar as contas. Me sentia revoltada, comecei a beber e passei a vender drogas para comprar bebidas. Um dia, fiquei muito bêbada e, quando acordei, estava de volta à prisão.''
Após mais uma temporada de quatro anos no cárcere, ela deixou o sistema penitenciário para retornar seis meses depois. ''Voltei a vender drogas para recuperar tudo que perdi. Estou aqui há três anos e, se tudo der certo, saio ainda esse ano.'' Como aconteceu nas vezes anteriores, Luiza espera nunca mais voltar, sonha encontrar um novo bom companheiro e ter, enfim, uma oportunidade para mudar de vida. ''Sou esforçada e trabalhadora. Só preciso que alguém me dê uma chance.'' (C.A.)

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