''A medicina não tem resposta para tudo''
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de setembro de 2001
De Curitiba 
A coordenadora do Centro Metropolitano de Apoio à Saúde do Trabalhador (Cemast), Sueli Almeida Coutinho, disse que ainda não há um diagnóstico sobre a doença de Juraci da Silva porque se trata de um ''caso complexo''. O operário já foi examinado por especialistas como neurologista e reumatologista. ''Mas eles ainda não sabem a doença e qual sua origem. A medicina não tem resposta para tudo.''
Segundo a médica, todos os exames necessários estão sendo feitos, à medida que são pedidos pelos profissionais que atendem o paciente. Único centro de saúde do trabalhador do Estado, o Cemast é mantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), atende 400 pessoas por ano, mas não possui equipe própria de especialistas e nem equipamentos para exames. Por isso, depende de outras unidades do SUS.
Silva foi encaminhado ao órgão pelo Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) e a Procuradoria do Trabalho em 9 de agosto do ano passado, para que fosse verificado se a doença tinha relação com o ambiente em que ele trabalhou.
Sueli disse que a falta do laudo conclusivo não impede que o trabalhador seja beneficiado pelo auxílio-doença. A Folha procurou o escritório do INSS em Curitiba, mas uma greve parcial no órgão impediu que fosse consultado o setor de protocolo, para saber a situação atual do processo.
A coordenadora do Cemast declarou que Silva tem atrasado a entrega dos exames solicitados e desmarcou duas consultas no último mês. Em relação ao operário José Marcondes da Luz, Sueli disse que ele deixou de procurar o órgão em novembro do ano passado, o que estaria impedindo que sua avaliação evolua.
O neurologista Carlos Caron, que atendeu Luz no Hospital Evangélico, considera ''quase impossível'' estabelecer um diagnóstico com a causa exata da mielite transversa do paciente.
Ele afirmou que não há na literatura médica estudos que liguem a doença a uma intoxicação por derivados de carbono, caso do benzeno presente no petróleo. ''O que geralmente ocorre é a intoxicação por vírus'', afirmou. Segundo Caron, não há laboratórios no Brasil capazes de fazer os exames necessários. (V.D.)


