Isadora é muito pequena, mas, com menos de um mês de vida, já enfrentou adversidades que assustariam muita gente grande. Nascida prematuramente no início deste mês, depois de apenas trinta semanas de gestação, ela não pode mamar no peito da mãe ou aproveitar o melhor colinho do mundo nos primeiros momentos de vida. Com apenas 810 gramas, a garotinha foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Universitário (HU) de Londrina logo após vir ao mundo. Ficou dois dias no respirador de oxigênio, tomando um mililitro de leite a cada ''mamada'', mas não esmoreceu diante da rotina de sondas, equipamentos e intervenções hospitalares.
Ainda na UTI, prestes a atingir um quilo, a garotinha já conquistou o direito de ficar o maior tempo possível no colo da mãe, a enfermeira Luciana Aparecida de Oliveira, 29. Esperta, chora quando tem de voltar ao berço e cresce a olhos vistos. Isadora é muito pequena, mas já dá lição. Lutadora desde o primeiro minuto que veio ao mundo, é uma menina que quer viver.
A história da pequena guerreira de olhos atentos começou com uma gravidez tranquila, planejada por Luciana e o marido Marcos Paulo de Oliveira. Por ser portadora de ovários micropolicísticos, a mãe fez tratamento para engravidar. Os exames pré-natais indicaram normalidade até o sétimo mês, quando passou a sofrer de pressão alta. Moradora de Bela Vista do Paraíso (Norte), foi encaminhada com urgência para o HU de Londrina, onde acabou internada.
No dia seguinte, com descolamento de placenta e pouco líquido aminiótico, soube que o coração de Isadora estava desacelerando. ''A solução foi realizar uma cesária de emergência. Nessa hora, passou todo tipo de pensamento na minha cabeça. Só fiquei mais tranquila quando vi que ela tinha reflexos normais e estava bem.''
Os dias passados no hospital são um misto de preocupação e esperança. ''Ouvi muito palpite negativo. Teve gente que falou para nem fazer o chá de fraldas, mas mantenho o pensamento positivo. A Isadora está bem e só precisa engordar para irmos para casa.''
Coruja como todas as mães, Luciane elogia a filha. ''Ela é muito esperta para o tamanho, já me reconhece e chora quando sai do colo. Percebo que a Isadora tem muita vontade de viver'', conta. Das iniciativas que estão ao alcance das próprias mãos, a mãe se esforça para ficar com o bebê quase todo o tempo e mantém a rotina de ordenhar o leite para alimentá-lo e garantir que a produção continue quando a amamentação for possível. ''Quero que ela mame por muito tempo. Não é nem questão de escolha, sei que minha filha precisa de leite materno.'' O futuro, por enquanto, está projetado no dia da alta hospitalar.

Leia mais histórias vitoriosas na reportagem especial de Carolina Avansini.

Leia também:
Uma história vitoriosa

Leite materno: alimento milagroso

Prematuridade incide em até 9% dos nascimentos

Atendimento multiprofissional

mockup