Curitiba - O colunista de política da Folha de Londrina, Luiz Geraldo Mazza, recorda que o ex-presidente Fernando Collor de Mello, hoje senador de Alagoas pelo PTB, chegou ao processo de impeachment com a imagem de seu governo totalmente desgastada. O jornalista paranaense acredita que o ex-presidente deu muita importância ao "seu marketing de herói de história em quadrinhos". O presidente mais jovem da história do Brasil, eleito aos 40 anos, fazia questão de ser fotografado correndo pelas ruas de Brasília, pilotando um jet-ski e um avião caça das Forças Aéreas, jogando futebol e vôlei, lutando caratê e cultivando a falsa imagem de "caçador de marajás". "Ele queimou muita energia nisso. A Dilma, ao contrário, com esse discurso um tanto arrogante, pretensioso, consegue fazer proselitismo em algumas áreas e está resistindo bem", comenta.

Mazza recorda, no caso de Collor, a perda total de apoio da comunidade. "Pesquisas da época apontavam apenas um residual de alguns que acreditavam nele. Tanto que na hora ele acreditou nesse residual e fez aquele apelo para que as pessoa saíssem às ruas vestidas de verde e amarelo. E teve aquela resposta bastante expressiva do pessoal saindo de preto e com cara pintada", comenta.

Sobre as manifestações de 92, que muitos atribuem a uma convocação da União Nacional dos Estudantes (UNE), Mazza acredita que a influência veio mesmo de uma minissérie transmitida pela Globo, entre julho e agosto daquele ano, chamada "Anos Rebeldes". A história girava em torno da resistência de um grupo de jovens brasileiros contra a ditadura militar. "Parecia uma espécie de nostalgia do não vivido", explica. Para o colunista, naquele momento, a sociedade viu com empatia a luta subversiva e a minissérie escrita por Gilberto Braga ajudou a convencer a multidão a pintar o rosto e protestar contra o governo Collor.

Voltando a 2015, Mazza reflete que o impeachment de Dilma poderia até trazer uma "descompressão", mas não seria suficiente para criar uma nova atmosfera para a economia. "É preciso ter alguma coisa que acene com uma perspectiva. O Temer (vice-presidente Michel Temer/PMDB), maliciosamente, estava tentando fazer isso, ao aparecer como uma espécie de salvacionista. Mas para mim, um país que acredita em salvador não merece ser salvo", ironiza. (A.D.C.)

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