'A fase mais crítica da escolaridade'
Responsável pela alfabetização de Josiane, a estudante que chegou à universidade sem saber ler e escrever, a psicopedagoga Edy Simone Del Grossi, coordenadora do curso de psicopedagogia da Unopar, enfatiza que ''a alfabetização é a fase mais crítica da escolaridade''.
Os problemas começam antes dos seis anos, quando deveria ter início a alfabetização formal. ''Na educação infantil, as crianças não têm acesso a um serviço competente, com desenvolvimento de habilidades específicas que formam a base da alfabetização.''
Essas habilidades incluiriam consciência fonológica e o desenvolvimento da oralidade. Nas escolas, segundo ela, faltam instrumentos de diagnóstico e avaliação, materiais didáticos e metodologia específica. Outro problema, segundo ela, está nos cursos de Pedagogia. ''Apenas 10% têm carga horária de pelo menos 30 horas para alfabetização'', denuncia, citando o documento ''Os novos caminhos da alfabetização infantil'', que teria constatado que as faculdades têm apenas 10% da carga horária com disciplinas de alfabetização.
A professora associada da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Magda Solange Vanzo Pestun, doutora em neurociências e supervisora de estágio em psicologia escolar, diz que os principais transtornos que interferem na vida escolar são os de aprendizagem (dislexia, distúrbio da linguagem escrita e discalculia) e o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Estatísticas indicam que 10% a 15% das crianças podem apresentar esses problemas, mas, na prática, profissionais da área observam o encaminhamento de 40% das crianças com fracasso na aprendizagem da leitura e escrita.
Magda alerta que a progressão dos alunos inaptos para as séries mais avançadas levam à indisciplina, evasão e fracasso escolar. Para ela, a solução está na capacitação dos professores, adoção de metodologia eficiente e envolvimento das famílias.(C.A.)





