A casa do brasileiro mudou de cara
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de junho de 1997
Isabela França Curitiba 
A casa do brasileiro está mudando. A abertura da economia democratizou objetos de arte, design e artigos de decoração e fez com que o estilo de vida da classe média mudasse - para melhor. No vácuo dessa transformação, abrem-se novos nichos de mercado.
Para atender à demanda gerada por este novo consumidor, a expert Olga Krell, arquiteta e editora de decoração e arquitetura, está lançando a revista Estilo D. A publicação, nacional, com tiragem inicial de 40 mil exemplares, passeia por casas e apartamentos de todos os tamanhos e estilos e observa as manias, preferências, hobbies e um pouco da intimidade de personalidades. A tendência de as pessoas ficarem mais tempo dentro de casa gerou novos hábitos e fez da casa um espaço muito mais importante do que há alguns anos, explica Olga.
O chamado cocooning - termo criado pelos norte-americanos para designar esta tendência de manter-se no casulo - atravessou fronteiras e chegou ao Brasil com força. Desde os problemas de segurança aos desgates provocados pelo estresse do dia-a-dia, tudo colabora para que a casa seja um ninho, diz.
Olga conta que ficando e recebendo cada vez mais na própria casa, o brasileiro percebeu a necessidade alterar a disposição dos móveis e incrementar os objetos, passando a dar mais importância à decoração. A decoração moderna, na avaliação dela, deve reunir funcionalidade e beleza.
O funcional, aliás, superou o belo e o sofisticado neste fim de século. Prova disso é o boom do home theater, tema de uma das reportagens do primeiro número da revista. Assim como o cinema em casa - que substituiu a televisão, mas ganhou lugar na sala de visitas -, as cozinhas também transformaram-se. Passaram a ser reduto masculino, pelo menos aos sábados à noite e, de preferência, com platéia. Ganharam mais praticidade e alguns detalhes de requinte, com os utensílios de design assinado e eletrodomésticos de última geração.
A classe média é a responsável pela mudança. Isso porque, até pouco tempo, era privilégio de alguns contratar um profissional de decoração. Apenas os ricos tinham acesso a boas publicações, viajavam e visitavam lojas de decoração no exterior , afirma. A popularização do segmento tornou o mercado mais profissional e mais acessível. O Brasil acordou de repente para a arquitetura e a decoração. Porém, a produção nacional não deixa nada a desejar em relação ao que se faz em Nova York, Milão ou Barcelona, garante.
Olga lembra que apesar de São Paulo continuar sendo o principal centro nesta área, o freje do mercado pode ser sentido em todo o País. Ela fez lançamentos regionalizados da Estilo D em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife e Belo Horizonte. Em todos os lugares se vê bom design e muita bossa, diz.


