A arquitetura da sustentabilidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de junho de 2016
Catarine Piccioni<br> Especial para a Folha 
Com a crise mundial do petróleo nos anos 70, começou-se a perceber a necessidade de aliar desenvolvimento e sustentabilidade. De lá para cá, essa percepção vem impactando a formação, a atuação e o mercado de trabalho de arquitetos e urbanistas, já que a construção civil é considerada um dos setores que mais consomem recursos naturais e que mais geram resíduos.
Dono do escritório Raffo Arquitetura, sediado em Londrina, Lucas Raffo fez pós-graduação em "Integração de energias renováveis na arquitetura" no início dos anos 2000, na Espanha. Para ele, a relação da profissão com o ambiente não pode mais ser considerada uma especialidade, isto é, a preocupação com sustentabilidade deve ser tratada como regra básica da arquitetura eficiente.
No entanto, no Brasil, a maioria das edificações não é sequer erguida com a participação de arquitetos e urbanistas. Ainda assim, a perspectiva é positiva para aqueles que conhecem e empregam soluções ambientalmente sustentáveis em construções e reformas. A professora Ana Virgínia Sampaio, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), diz que estes profissionais estão sendo e vão ser cada vez mais procurados. "Quanto mais especializado, o arquiteto terá mais campo de trabalho", ela acredita.
Em comparação com outros países, o Brasil está atrasado no uso de novas tecnologias. Por aqui, a utilização de alternativas sustentáveis não é tão incentivada. Mesmo assim, muitas vezes aspectos ambientais são tratados indevidamente, tanto pela iniciativa privada quanto pelo setor público.
"Vejo o tema sendo usado como marketing, sem a profundidade necessária no que diz respeito ao projeto. Trabalhos superficiais vendem a palavra já gasta sustentabilidade como artigo diferenciado sem ser realmente verdadeira a informação", diz Raffo.
Um dos desafios de arquitetos e urbanistas na área ambiental é a conscientização dos clientes. Cabe a estes profissionais apresentar ao menos uma opção de projeto e construção sustentáveis, ainda que posteriormente a proposta seja recusada.
Uma casa de bem com a natureza, por exemplo, pode ser 20% mais cara, mas no futuro pode representar economia nas contas de água e energia.
Presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em Londrina, Claudio Bravim afirma que em seu escritório, o Bravim e Ricci Arquitetura, medidas para que construções e reformas sejam consideradas ambientalmente adequadas já fazem parte da rotina. Ele menciona o reaproveitamento de material, reciclagem de produtos, reúso de água e aquecimento solar como alguns exemplos. "Entendemos hoje que a natureza pode ser parceira e sempre favorável ao nosso projeto; basta o respeito", diz Bravim.
Serviço Sugestões de cursos e treinamentos na área ambiental para arquitetos e urbanistas: "Projeto arquitetônico, composição e tecnologia do espaço construído" (Especialização/UEL), "Geografia, meio ambiente e desenvolvimento" (Mestrado/UEL), "Economia do meio ambiente" (Especialização/UEL), "Arquitetura sustentável: projeto e ambiente construído" (Especialização/PUC-PR) e treinamentos oferecidos pelas empresas Maxiambiental e Master Ambiental.


