1985, UM MARCO NA HISTÓRIA - Os novos 'anos rebeldes' que incendiaram o País
Menos de um ano depois da tão esperada primeira eleição direta para a escolha do presidente da República, a satisfação deu lugar à indignação. Porém, mesmo com as expectativas frustradas, o que se viu naquele começo da década de 1990, no governo de Fernando Collor de Melo, somente foi possível pela recente liberdade que a sociedade saboreava. No alvorecer da redemocratização brasileira o povo foi às ruas e o resultado foi a deposição do primeiro presidente.
Escolhido pela maioria dos eleitores na disputa de 1989, que teve duas dezenas de concorrentes, Collor de Melo deixou o Estado de Alagoas, onde havia sido governador, para atingir em pouco tempo dois feitos inéditos: o presidente mais jovem do Brasil, com 40 anos, e o primeiro a sofrer o impeachment (impedimento) pela vontade popular na América Latina.
O líder que dizia ter "aquilo roxo" para enfrentar os "marajás", que pilotava jatos da Força Aérea Brasileira (FAB) e planejava as ações na tentativa de imprimir juventude ao governo, não resistiu à insatisfação popular que não precisava mais se esconder das autoridades para dizer o que pensava. Depois de iniciar o governo confiscando o dinheiro dos correntistas sob o argumento de conter a inflação e das denúncias de corrupção, feitas pelo irmão Pedro Collor, envolvendo o tesoureiro da campanha eleitoral, Paulo César Farias, o PC Farias, Collor sucumbiu.
O movimento pelo impeachment começou como uma resposta ao contrário à convocação do presidente. Ao perceber que a investigação no Congresso seria inevitável, Collor de Melo conclamou os brasileiros para saírem às ruas vestindo verde e amarelo. "Não me deixem só", dizia em rede de rádio e TV, levantando a tese de estar sendo injustiçado pela oposição política. No dia seguinte, surgia o movimento que mais tarde ficaria conhecido como os "caras-pintadas", vestindo preto e cobrando providências contra a corrupção.
Formado essencialmente por adolescentes e jovens, nascidos já no ocaso da ditadura, o movimento se espalhou pelo país e teve papel determinante nas decisões políticas que viriam naquele ano de 1992. (E.F.)





