"Fui detido, deram voltas comigo no camburão, falando coisas ameaçadoras, como as mortes que ocorreram na ditadura. 'Morreu muita gente, então é bom você tomar cuidado', era o que me diziam". Embora conhecesse a história das atrocidades cometidas em nome da Pátria, o então presidente da União Londrinense dos Estudantes, Marcio Sanches, não imaginava o desfecho daquela manifestação pelas ruas centrais.

O clima do Fora Collor! já havia chegado a Londrina, mas Sanches descobriu que havia, ainda, resquícios do antigo regime, devido ao tratamento que recebeu da Polícia Militar naquela tarde de 2 de abril de 1992. "Foi um período em que fiquei apavorado, mas a FOLHA deu muito apoio pra Ules. Tenho certeza que isso também fez a polícia repensar o jeito de agir conosco". Ele se refere ao editorial da FOLHA, publicado no dia 4 de abril de 1992, sob o título "Polícia totalitária", material que Sanches guarda com reverência.

Atualmente empresário, Marcio Sanches enxerga grandes diferenças no perfil das manifestações contra o atual governo em relação àquelas de duas décadas atrás. "Esse movimento de hoje fala da volta dos militares, enquanto naquele tempo era uma busca por consolidar a democracia", criticou. O ex-líder estudantil, no entanto, reconhece que "o PT teve falhas históricas e perdeu oportunidades de fazer um governo de esquerda, como era na sua origem".

Embora o movimento estudantil tenha se esvaziado neste últimos anos, a história recente mostra que a mobilização política fincou raízes profundas em Londrina. Oito anos depois de participar do Fora Collor!, veio o abalo causado pelo escândalo de desvio de dinheiro no esquema AMA/Comurb, que fez surgir o Pé Vermelho! Mãos Limpas!, reunindo diversos segmentos para pressionar, principalmente, os vereadores, responsáveis pelas investigações contra o então prefeito Antonio Belinati, cassado em junho de 2000.

Doze anos depois, o ex-prefeito Barbosa Neto, foi o segundo chefe do Executivo que não conseguiu encerrar o mandato, também cassado pelo Legislativo com as galerias lotadas pelo Movimento por Amor a Londrina. (E.F.)

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