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domingo, 03 de fevereiro de 2013
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Determinadas habilidades humanas são mais desenvolvidas em algumas pessoas, demonstrando - como acredita uma forte corrente da ciência - que tais características seriam inatas. Ou seja, por uma carga genética ou funcionamento cerebral atuariam direto no comportamento, independentemente de estímulos. Por outro lado, há cientistas que defendem a tese das habilidades adquiridas. Nesta visão, o meio ambiente, a educação e as experiências vividas teriam influência sobre o ser humano. Enquanto a neurociência e a psicologia não chegam a uma conclusão, a discussão persiste.
''Podemos citar várias características nesse rol: superdotação, musicalidade, espírito empreendedor, orientação sexual. O que seria inato ou adquirido? Diplomaticamente, digo que somos uma mistura: o indivíduo é formado por uma carga biológica herdada, que pode ser desenvolvida ou não, mas, também, de componentes moldados pela influência do meio'', resume a psicóloga Carolina de Souza Walger, do Conselho Regional de Psicologia (CRP-PR) e especialista em psicologia organizacional do trabalho.
Segundo ela, existem teorias extremas de que haveria cérebros especiais. ''A neurociência, entretanto, não chegou a nenhuma conclusão.'' Enquanto isso, pesquisas sobre o assunto e cérebros de gênios da história são estudados com afinco, como o de Albert Einstein que, até hoje, é alvo de pesquisas. Mas será que só a anatomia cerebral seria suficiente para tornar alguém ''especial''? Para Carolina, não basta possuir uma superdotação em alguma habilidade e esta não ser estimulada. ''O que percebemos é que, com treinamento e dedicação, tudo se assemelha. Mesmo que, a princípio, o indivíduo não tenha alguma habilidade, poderá desenvolver. Nascer com determinado potencial pode favorecer o desenvolvimento de uma habilidade'', defende.
Estímulo adequado
Membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o neurologista Ivan Okamoto afirma que a ciência ainda não consegue explicar totalmente a maior habilidade de alguns em determinadas situações. ''Dizemos que as características são decorrentes de predisposição genética e fatores ambientais.'' No caso de um indivíduo que apresenta melhor atuação na música, por exemplo, o médico diz que se este nunca for apresentado à ela, dificilmente, irá desenvolver a habilidade. ''A grande questão está em dar estímulo adequado à pessoa adequada'', resume. Para isso, segundo ele, é importante que as crianças sejam colocadas em contato com diversas atividades (esportivas, artísticas) a fim de descobrir quais seriam suas aptidões.
De acordo com Okamoto, há estudos novos por meio da ressonância funcional, que permitem um mapeamento cerebral diferente. ''Na avaliação, fazemos uma série de testes. Em um deles, pedimos que a pessoa diga quais animais conhece com a letra 'A' e vemos exatamente qual área do cérebro está ativada naquele momento.'' A ressonância funcional, conforme ele, tem permitido constatar que o cérebro trabalha em redes multimodais. ''Estamos indo além da anatomia e comprovando que as atividades não dependem diretamente da quantidade de neurônios, mas das conexões existentes entre eles'', explica.


