Para a doutora em sociologia Silvana Mariano, professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), uma mudança no panorama atual da maternidade depende da oferta de estrutura para que as mães possam assumir outras funções além de cuidar dos filhos, o que demanda, principalmente, antendimento amplo em saúde e educação, inclusive com horário diferenciado nas creches e escolas.
Por defender que a maternidade é uma responsabilidade social, Silvana ressalta que, socialmente, as mulheres que escolhem ser mães devem ser apoiadas. ''A maternidade não pode refletir em prejuízo para a carreira'', exemplifica. Ela cita, ainda, a necessidade de haver melhor distribuição dos trabalhos domésticos entre mulheres e homens, para evitar a sobrecarga.
A oferta dos ''equipamentos'' que permitam conciliar maternidade com outras funções é fundamental, ainda, para encorajar as mulheres a terem filhos. Ao contrário do observado há algumas décadas, quando as políticas de planejamento reprodutivo visavam o controle da natalidade, o comportamento demográfico brasileiro indica o rápido envelhecimento da população resultante da queda da taxa de natalidade.
De acordo com o resultado das amostras do Censo 2010, a taxa de fecundidade no Brasil apresentou queda de 20,1% na última década, passando de 2,38 filhos por mulher, em 2000, para 1,90 em 2010. O índice está abaixo do chamado nível de reposição (2,1 filhos por mulher) que garante a substituição das gerações. A perspectiva é que até 2030 ou 2040 a população brasileira mantenha-se estável e, a partir daí, comece também a decrescer.
A socióloga acrescenta que a ideia hegemônica de que a realização da mulher sempre acontece pela maternidade tem sido cada vez mais questionada. Se, por um lado, cresce a proporção das que encaram a maternidade como uma escolha, como um projeto de vida, há outras que decidem não ter filhos e nem por isso sentem-se menos realizadas. ''Já o grupo que encara a maternidade como destino tende a se reduzir'', acredita.
Ela defende os movimentos de valorização da maternidade na medida em que eles politizam o tema e cobram a garantia de direitos como acesso à saúde e humanização dos procedimentos, denunciando a violência de alguns profissionais e a banalização de procedimentos médicos. ''Muito da mortalidade materna pode ser evitada e os movimentos ajudam a reforçar isso.'' Silvana enfatiza, entretanto, que o atendimento de qualidade deve atingir todas as mulheres, e não apenas as gestantes.

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