Zimmermann deve substituir Silas Rondeau
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quinta-feira, 24 de maio de 2007
João Domingos e Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou ontem ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), que vai acatar a indicação de Márcio Zimmermann, feita pelo PMDB, para ministro de Minas e Energia. A nomeação é aguardada para hoje. Lula disse ainda a Temer que depois de resolver a questão do substituto de Silas Rondeau - que se demitiu na terça-feira, depois de ser acusado pela Polícia Federal de receber propina de R$ 100 mil da empreiteira Gautama - começará a preencher os cargos do segundo escalão e de direção de estatais reivindicados pelos peemedebistas.
Lula protela a nomeação há mais de dois meses, o que tem provocado seguidas revoltas de setores do PMDB, principalmente antes de votações importantes na Câmara e no Senado. Tanto é que a Câmara não conseguiu terminar a votação do aumento de 1 ponto porcentual no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), iniciada há dez dias. Descontentes, os 27 deputados peemedebistas de Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro ameaçam votar contra o governo e retirar da emenda constitucional do FPM a previsão de que o pagamento do novo repasse tenha início em setembro.
Se a data cair, o pagamento terá de ser feito imediatamente após a aprovação da emenda, o que provocaria prejuízos de pelo menos R$ 800 milhões ao Tesouro. As bancadas dos três Estados exigem a nomeação do ex-senador Maguito Vilela para a vice-presidência de Agronegócios do Banco do Brasil, a do ex-deputado Moreira Franco para uma diretoria da Petrobras e a do ex-prefeito Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas.
Zimmernann é o atual secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia. Não tem filiação partidária. Mesmo assim, foi adotado pelo PMDB. O que está por trás da indicação, visto que o partido vinha exigindo um grande espaço dentro do governo para formar a coalizão de apoio a Lula? De acordo com os próprios peemedebistas, os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), padrinhos de Rondeau e, agora, de Zimmermann, encontram-se fragilizados politicamente por causa das seguidas insinuações feitas pela PF de que teriam envolvimento no escândalo da empreiteira Gautama.
Sarney e Renan buscaram um meio-termo. Foram atrás de Márcio Zimmermann, pessoa de confiança da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Foi a garantia de que o nome seria aprovado, sem maiores delongas. E Zimmermann, por ocupar uma vaga do PMDB, passa a ter compromissos com o partido. Tanto é que Sarney e Renan lhe disseram que, uma vez nomeado, deverá fazer uma reunião com a bancada de senadores do partido.


