O governador Zeca do PT (MS) se reuniu ontem com o presidente Fernando Henrique pregando o entendimento entre o Planalto e os governadores de oposição. Mesmo assim, FHC não acenou com a possibilidade de renegociação das dívidas estaduais. ‘‘Temos de desarmar os espíritos, guardar as facas’’, disse o petista. ‘‘Estamos maduros para entender que queda-de-braço vai levar o País para o buraco.’’ ‘‘Antes de entrarmos na Justiça, precisamos conversar’’, completou Zeca.
O governador, que criticou a moratória mineira (‘‘qualquer posição radicalizada não ajuda’’), afirmou que FHC se mostrou sensível para dialogar, mas evitou o tema da renegociação. ‘‘Neste mês, vamos pagar R$ 18 milhões. Isso significa um quarto da arrecadação. Não aguentamos mais três meses’’, afirmou Zeca. ‘‘Não estamos mais cortando a carne, mas o osso.’’ Segundo ele, há três posições diferentes sobre o assunto: a de FHC, a da oposição e a dos governadores da base do presidente. ‘‘Temos de sentar na mesa para negociar.’’
Zeca do PT pregou uma solução conjunta da dívida para todos os Estados. O primeiro encontro com FHC serviu para o governador do Mato Grosso do Sul apresentar reivindicações do Estado. Zeca do PT pediu para que o Estado pague menos pelo gás do gasoduto Brasil-Bolívia, que vai passar pelo Mato Grosso do Sul até o Sul do País. ‘‘Não queremos ser usados como barriga de aluguel (do gás)’’, disse ele. FHC vai no próximo mês ao MS, onde participa da inauguração de trecho da obra.
Zeca do PT também reivindicou que a União pague ao governo estadual o investimento de R$ 100 milhões, feito pelo Estado, mas de responsabilidade federal. FHC, segundo ele, ficou de estudar. Até as 19 horas de ontem, o presidente permanecia reunido com o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB).
O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT) informou ontem que conversou por telefone durante 10 minutos com FHC, disse que o presidente se comprometeu ontem a marcar até quinta-feira uma data para se reunir com os governadores de oposição para discutir das dívidas dos Estados.
Na conversa, o governador afirmou que não deve haver intransigência de nenhuma das partes e que é preciso maturidade, equilíbrio e espírito público. ‘‘O presidente mostrou-se aberto ao diálogo’’, relatou.
Mas os governadores estão com outros tipos de dificuldades. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado rejeitou ontem um requerimento dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Jefferson Péres (PSDB-AM) que propunha audiências públicas para os governadores descreverem a situação das finanças estaduais.

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