Zeca do PT defende que todos devem estar juntos
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Cláudia Trevisan Agência Folha 
O governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, praticamente implodiu ontem o bloco de sete governadores de oposição que tenta renegociar a dívida de seus Estados com a União e propôs um encontro de todos os governadores. Eu acho que tem de parar com toda a semana fazer reunião de um bloquinho aqui, um bloquinho lá. Parece Clube do Bolinha , disse o governador em relação aos encontros da oposição e dos aliados de FHC.
Os problemas não são só dos Estados governados pela oposição. São de todos os Estados, que estão falidos, acrescentou Zeca. Em sua opinião, o encontro dos 27 governadores poderia ser negociado pelo governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB). Zeca disse que o único dos integrantes do bloco de oposição que se opõe à reunião de todos é Itamar Franco.
O petista evitou críticas diretas a Itamar, mas afirmou que o ex-presidente tem outros ressentimentos, que devem ser considerados, mas que não podem estar na mesa de negociação. O dirigente do Mato Grosso do Sul disse que defendeu a reunião dos 27 governadores na presença do presidente Fernando Henrique Cardoso, que ontem esteve em Corumbá (MS) para a inauguração do primeiro trecho do gasoduto Brasil-Bolívia.
Segundo Zeca, o presidente não se manifestou sobre a possibilidade de receber todos os governadores em grupo. O governador também disse ao presidente que a Carta de Porto Alegre, assinada pelos governadores de oposição, não cria condições impositivas para a negociação. A carta, de acordo com o petista, apresenta pontos para a discussão, que podem ou não ser aceitos pelo presidente. O encontro dos 27 governadores poderia ocorrer no dia 1º de março, na opinião do governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), um dos integrantes do bloco de aliados de Fernando Henrique Cardoso. Nossa proposta é criar um fórum permanente, que é a Conferência dos Governadores do Brasil, afirmou Dante.
A reunião será em Aracaju (SE) e foi marcada pelos governadores pró-FHC que se encontraram há cerca de um mês no Maranhão. Dante disse que todos os governadores, inclusive os de oposição, estão convidados.
Em sua opinião, o presidente da República deve convidar todos os governadores para uma reunião o mais rápido possível. O tucano defendeu mudanças na Lei Kandir como forma de reduzir as dificuldades financeiras dos Estados. A lei isenta as exportações de produtos primários do ICMS, principal imposto estadual.
O tucano também propôs a retirada do repasse constitucional para a educação do cálculo da receita líquida sobre a qual incide o percentual que os Estados pagam à União em razão da negociação de suas dívidas. Na prática, isso significa diminuição dos pagamentos mensais, reivindicação idêntica à dos governadores de oposição.


