Curitiba - O chefe do escritório regional da Secretaria de Estado do Trabalho em Umuarama, José Becker de Oliveira e Silva (PT), conhecido como Zeca Dirceu, pediu exoneração do cargo. A decisão de afastar-se do governo do Paraná veio duas semanas depois de ter o nome envolvido em denúncias de tráfico de influência em Brasília. Zeca é filho do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Sozinho, ele teria conseguido a liberação de R$ 607 mil em recursos federais da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para obras públicas no Noroeste do Paraná e outros R$ 823,3 mil para o programa Ações de Geração de Renda para Populações Carentes do Ministério da Assistência Social em 2003.
Zeca Dirceu nega que tenha pedido exoneração por causa das notícias veiculadas na imprensa. Ele alegou, através de nota oficial, que quer se dedicar exclusivamente ao município de Cruzeiro do Oeste (25 km a leste de Umuarama), onde pretende sair candidato a prefeito nas eleições deste ano. Nos 15 meses que esteve como chefe do escritório regional, Zeca Dirceu disse que conseguiu implementar o programa Fome Zero, que teria beneficiado dezenas de trabalhadores.
O secretário de Estado do Emprego, Trabalho e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, disse ontem que aceitou o pedido de exoneração porque a Lei Eleitoral definiria um prazo de seis meses para desincompatibilização de candidatos a cargos públicos nas eleições desse ano. Ele mesmo estaria publicando no próximo dia 2 de abril a exoneração de oito chefes de escritórios regionais: Pato Branco, Francisco Beltrão, Umuarama (onde estava Zeca Dirceu), Maringá, Londrina e Guarapuava. ''Todos estão se desincompatibilizando para disputar cargos públicos. Foi uma decisão de foro íntimo do Zeca e dos demais chefes regionais. Eles querem disputar as eleições'', considerou Padre Roque.
O secretário argumentou ainda que pretende dar apoio à candidatura de Zeca Dirceu em Cruzeiro do Oeste. ''Não quero prejudicar o garoto. Vou ajudá-lo na campanha com meu apoio político. A ele e a todos os demais candidatos do PT'', complementou. Assume o lugar de Zeca Dirceu o professor de Umuarama, Marcos Mackert (PT).
A Lei Complementar 6.490 define que ''os chefes de núcleos regionais de secretarias de Estado têm que se desincompatibilizar quatro meses antes de concorrer ao cargo de prefeito ou seis meses antes, se quiser concorrer como vereador''. Logo, pela legislação em vigor, Zeca Dirceu poderia se desincompatilizar em junho.

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