Zeca defende união de blocos
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quinta-feira, 14 de janeiro de 1999
Agências Estado e Folha 
O governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos (PT), o Zeca do PT, defende a aproximação entre os dois blocos de governadores - oposição e aliados ao Planalto - em torno de uma proposta de renegociação das dívidas dos Estados. Zeca disse que a intenção dos dois blocos é igual: melhorar a situação financeira dos Estados. Temos que achar um meio-termo entre as propostas, disse o governador. Não queremos nem a intransigência do governo federal, nem uma medida unilateral.
O governador vai apresentar no encontro dos governadores de oposição, marcado para a próxima segunda-feira, em Belo Horizonte (MG), a sua proposta de congelar a parcela da dívida tendo como base a média mensal paga ao longo de 1998, cerca de R$ 10 milhões, no caso de Mato Grosso do Sul. O governador voltou a descartar a possibilidade de decretar moratória, para ele uma medida extremada.
No Rio, o presidente nacional do PT, José Dirceu, defendeu ontem a suspensão imediata do pagamento da dívida externa de curto prazo e que o País busque uma renegociação com o FMI. O ideal seria suspender e renegociar todas as dívidas a curto prazo do País, já, antes que seja obrigado a declarar a moratória, afirmou.
Ele lembrou que o partido, durante a campanha eleitoral, apresentou oito pontos de combate à crise, que incluíam o controle cambial e a renegociação da dívida de curto prazo. Houve um fundamentalismo, um xiitismo econômico do governo em manter um rumo que levou a essa situação, apontou. Dirceu disse que não defendia a moratória do País - ninguém prega moratória, ela é uma realidade - mas disse que o governo federal não tem opção. Ou suspende o pagamento das dívidas a curto prazo ou vai ficar sem reservas e a moeda sofrerá um ataque especulativo, advertiu.
Em Porto Alegre, o presidente nacional do PDT Leonel Brizola sugeriu ontem a renúncia do presidente FHC. Ele disse que a política econômica do governo, baseada em altas taxas de juros, está provocando uma crise institucional no País, com a falência de Estados e municípios.


