Zé Eduardo queixa-se dos aliados
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sexta-feira, 16 de janeiro de 1998
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaReflexãoJosé Eduardo: Algumas lideranças me consideram fora do jogo político, mas o eleitor me quer O senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB) sinalizou ontem a possibilidade de concorrer à reeleição ao Senado. José Eduardo criticou o grupo político que dá sustentação ao governador Jaime Lerner (PFL), sob a alegação de que alguns aliados tentam excluí-lo das eleições de outubro. O senador fixou para abril o prazo para confirmar sua condição de candidato à reeleição, e que diz que até lá está aberto a conversas, inclusive com os partidos que ensaiam a formação de uma frente de oposição ao governo - PMDB, PSDB e PPB.
Quando eu falei que me desencantei com o Senado não quis dizer que estou fora. Não tenho intenção de deixar a política, afirma. O senador reclama dos aliados que tentam desvalorizar o seu cacife. Algumas lideranças me consideram fora do jogo político, mas o eleitor me quer. Fiz mais de um milhão de votos sem o apoio de ninguém. Acho um absurdo estarem discutindo indicação sem me consultar, cobra. O senador diz que acompanha de longe a movimentação do chefe da Casa Civil, Rafael Greca, e do ministro da Previdência, Reinhold Stephanes, que brigam por apoio junto à bancada federal do PFL.
O senador disse ainda que não há legislação ou regulamento interno que lhe assegure, como aos deputados federais, o direito de ser o candidato nato. Mas isso não é problema. Como sou democrático, não vejo restrição em colocar o meu nome em convenção. Eu duvido que o PTB não me apóie. Acho difícil, avalia. Com relação às pretensões da vice-governadora, Emília Belinati, que também trabalha a sua indicação pelo PTB, Vieira afirma reconhecer o direito dela de concorrer. Eu gosto muito dela, mas a decisão é da convenção, assinala.
José Eduardo conversou na terça-feira, num jantar em sua casa em Brasília, com o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB). O contato com o senador Roberto Requião, do PMDB, ficará para os próximos dias. Eles (a oposição) estão me procurando para trocar idéias. Os meus aliados, não. Por isso é que estou aberto para articular com todas as frentes. O apoios e coligações para as eleições não estão fechados e precisam passar por confirmação em convenção, reforça o senador.
Para a vice-governadora Emília Belinati, a possibilidade do senador Vieira disputar a sua recondução por mais oito anos ao Senado é democrática, válida e justa. Emília, no entanto, defende o seu nome para a eleição. O PTB é que vai definir o melhor nome. Eu tenho vontade, porque seria um desafio, afirma. Segundo ela, não existe nenhum acerto político que garanta por antecipação a indicação ao Senado. Tudo vai depender de um entendimento dos partidos, aposta.
O marido de Emília, o prefeito de Londrina Antonio Belinati (PDT), diz que as diversas declarações do governador Jaime Lerner referindo-se à vice como a candidata ideal para permanecer no cargo não interferem no processo de escolha. Acho que isso é até razão para agradecimento. Se o Lerner se reeleger, ele vai se dedicar a um projeto presidencial e a vice ficaria um ano como governadora. É enaltecedor, mas não é o nosso objetivo hoje, analisa. Belinati acredita que a chapa só estará fechada mais adiante, às vésperas das convenções partidárias, assim como foi na indicação de Emília como vice, em 94.


