Zé Dirceu enfrenta até ‘corredor polonês’
Arquivo FolhaDirceu: ‘Enfrentei a ditadura por que não enfrentaria 40 militantes?’
O encontro nacional extraordinário do Partido dos Trabalhadores (PT) foi encerrado ontem em clima de tensão. Militantes ligados ao ex-deputado carioca Wladimir Palmeira, escolhido candidato ao governo fluminense pelo diretório estadual do partido, reagiram contra o resultado do sábado, quando o PT ratificou a decisão de apoiar o candidato do PDT no estado, Anthony Garotinho. Pela manhã, a ala derrotada partiu para a intimidação e recebeu seus adversários formando ‘‘corredores poloneses’’, gritando palavras de ordem e agressões.
O troco da militância não poupou nenhuma das lideranças petistas contrárias à candidatura de Palmeira e tornou público o sentimento guardado pela maioria dos aliados ao ex-deputado depois do resultado do sábado. O presidente nacional do PT, José Dirceu, entrou na quadra dos bancários - onde foi realizado o encontro do partido - após atravessar um longo corredor polonês, sob vaias e xingamentos. ‘‘Eu não tenho medo deles, eu sou o presidente do partido e eles têm que me respeitar’’, afirmou Dirceu após ultrapassar a aglomeração. ‘‘Eu enfrentei a ditadura, por que não enfrentaria 40 militantes?’’, acrescentou.
Lula condenou a formação de ‘‘torcidas’’ para acompanhar o debate político. ‘‘Uma convenção de partido político é uma convenção de delegados, se você traz torcida, coloca a convenção em situação vulnerável’’, disse o candidato. ‘‘É como num campo de futebol, eu já cansei de ir a jogos que terminam e as pessoas começam a brigar.’’

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