Brasília - Só a ordem do chefe da Casa Civil, José Dirceu, para que o diretor da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) Antônio Carlos de Andrade, mais conhecido como ''Toninho'', dirigente da tendência esquerdista Força Socialista, fosse demitido do cargo foi pouco. A cúpula do PT começou ontem a enquadrar a tendência. ''Essa tendência terá de dizer o que quer do governo e do PT'', disse o presidente nacional do partido, José Genoino. ''Não pode ficar fazendo oposição. No PT, um direito sagrado é o de divergir internamente, mas a unidade não pode ser quebrada.''
''Toninho'' é marido da deputada Maria José da Conceição (PT-DF), a ''Maninha''. A demissão, de acordo com denúncias de ''Maninha'', ocorreu porque ela se absteve de votar na emenda da reforma da Previdência. Genoino afirma que não é isso. A ordem de Dirceu para que o ministro da Saúde, Humberto Costa, tirasse o diretor da Funasa do cargo ocorreu porque ele dirige uma força que, por meio de resolução interna, pregou uma reação contrária à reforma previdenciária e tentou influenciar outros parlamentares petistas a fazer o mesmo, justificou o presidente nacional do PT.
Punido com a perda do emprego por causa da mulher ou por causa da decisão interna, o fato é que, até agora, o ''Diário Oficial'' da União (DOU) não publicou a destituição de ''Toninho''. ''Está tudo do mesmo jeito. 'Toninho' não foi afastado'', disse ontem ''Maninha''. ''Não tem volta. O 'Toninho' está fora da Funasa'', rebateu Genoino.

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