Youssef vai colaborar com investigações do MP do Paraná
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sexta-feira, 26 de junho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba O doleiro Alberto Youssef, um dos principais personagens da Operação Lava Jato, também vai prestar esclarecimentos ao Ministério Público do Paraná (MPPR) na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, onde o londrinense está preso desde março do ano passado.
Ele se dispôs a colaborar com os promotores em relação ao caso Copel/Olvepar (esquema que teria desviado cerca de R$ 84,6 milhões de dinheiro público estadual em 2002) e também em investigações mais recentes desencadeadas pelo órgão no Paraná. A informação foi confirmada pelo advogado do doleiro, Antônio Figueiredo Basto. "Existe esta investigação antiga sobre a Copel/Olvepar e, se o Youssef puder contribuir, vai contribuir, ele vai ajudar no que for possível", afirmou o defensor.
A princípio Youssef foi ouvido em apenas uma oitiva informal na última quinta-feira, e concordou em fornecer novos detalhes sobre a manobra fraudulenta que desviou milhões da Copel nos últimos meses do governo Jaime Lerner. Esta primeira reunião também foi acompanhada por procuradores do Ministério Público Federal (MPF). Além disso, o doleiro deve ser ouvido em outras investigações do MP estadual, entretanto, Basto disse que não pode comentar o assunto. "Ele (Youssef) também vai falar sobre fatos mais recentes, outras frentes que estão sendo apuradas pelo MP, mas não posso falar porque são sigilosos", completou o advogado.
O Ministério Público propôs ação contra os envolvidos no caso Copel/Olvepar, em 2002, mas até hoje ela não foi julgada em primeira instância. Os sete denunciados à Justiça foram o doleiro Alberto Youssef; o ex-secretário da Fazenda e ex-presidente da Copel Ingo Hübert; o advogado da massa falida da Olvepar, Antonio Carlos Brasil Fioravante Pieruccini; o representante empresarial Luiz Sérgio da Silva; o ex-diretor da Copel Mário Bertoni; e os funcionários da estatal César Antônio Bordin, André Grocheveski Neto e Sérgio Luiz Molinari.
Além de Youssef, Pieruccini também é réu em um dos processos da Operação Lava Jato. Segundo o MPF, ele estaria envolvido na operação montada pelo doleiro para operar empresas de fachada e movimentar recursos oriundos de desvios de obras da Petrobras. Ele é acusado pelos promotores de lavar dinheiro em favor do doleiro na construção de um edifício residencial em Curitiba. A acusação de lavagem foi incluída em uma ação relacionada a supostos desvios da Petrobras envolvendo a empreiteira Mendes Junior.
Segundo as investigações do MP, Youssef e outras seis pessoas estão envolvidas na operação que desviou milhões da Copel, no ano de 2002. Numa manobra fraudulenta, o governo paranaense teria comprado créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da empresa Óleos Vegetais do Paraná (Olvepar), que já estava falida na época da negociação.
A estatal teria comprado R$ 45 milhões em créditos de ICMS pelo valor de R$ 39,6 milhões, ou seja, somando o valor desembolsado pela Copel com o que a Olvepar deixou de pagar em ICMS ao Estado, o prejuízo chegou a R$ 84,6 milhões. Em 2000 o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) havia negado o pedido feito pela Olvepar para receber a devolução de créditos do ICMS referentes à exportação de farelo de soja e óleo de soja, entretanto, de acordo com o MP, mesmo assim, o governo fechou negociação com a empresa dois anos depois.


