Curitiba - O doleiro londrinense Alberto Youssef, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como o principal personagem do mega esquema de lavagem de dinheiro desbaratado durante a Operação Lava Jato, sofreu um infarto na manhã de ontem na carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, e teve que ser encaminhado para um hospital da capital.
Conforme informações da PF, Youssef começou a se sentir mal por volta das 9h20 e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado. Os primeiros atendimentos foram realizados ainda na superintendência mas, em seguida, constatada a gravidade do quadro, os funcionários do Samu decidiram levar o doleiro para o hospital. A ambulância deixou o local escoltada por agentes da PF.
A instituição de saúde não se pronunciou sobre a internação, entretanto o advogado do doleiro, Antonio Figueiredo Basto, confirmou que Youssef teve que passar por um cateterismo (exame invasivo para confirmar obstruções das artérias coronárias) e, até o final da tarde de ontem, permanecia em observação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). "Estamos aguardando sua recuperação. Ele sentiu fortes dores no peito durante a manhã e teve que ser encaminhado rapidamente para o hospital. Ele já teve complicações de saúde no passado e precisa de cuidados", contou Basto.
O nome do hospital não foi divulgado por questões de segurança. Youssef está preso desde o mês de março e, em outra ocasião, reclamou de problemas de saúde. No dia 7 de abril o preso chamou os agentes carcerários depois de sentir fortes dores no peito. Na época Youssef foi encaminhado para o Hospital Cajuru para a realização de exames, que não constataram nenhuma complicação.
Dez ações
A Justiça Federal do Paraná acatou na quinta-feira a décima denúncia feita pelo MPF referente à Lava Jato. A FOLHA já havia adiantado no início da semana que o doleiro, além de seu suposto "laranja", João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, que também está preso, eram alvos da nova denúncia do MPF.
Youssef e outras sete pessoas viraram réus na ação que apura operação irregular de instituição financeira e evasão de divisas no valor de US$ 78,2 milhões mediante 1.114 contratos de câmbio fraudulentos envolvendo duas empresas offshore entre junho de 2011 e março deste ano. Além do doleiro e de Procópio, também são réus nesta ação Nelma Kodama, Leandro Meirelles, Leonardo Meirelles, já citados em outros processos; Antônio Manuel de Carvalho Baptista Vieira, Matheus Oliveira dos Santos e Rafael Ângulo Lopez.
Youssef já é réu em outras quatro ações: a que apura crime de tráfico de drogas e lavagem de produto de tráfico de drogas; crimes financeiros por meio de celebração de contratos de câmbio fraudulentos em nome da empresa Labogen S/A Química Fina e outras para pagamentos no exterior de importações fictícias; outra que investiga crimes de lavagem de dinheiro produto de desvios de recursos públicos da Petrobras; e mais uma que apura crimes de lavagem de dinheiro contra a administração pública, de parte do dinheiro do mensalão.
"É lamentável ficarmos sabendo de mais uma denúncia por meio da imprensa. Ainda não tive acesso aos autos desta nova ação penal e, por isso, não vou comentar nada. No momento aguardamos o restabelecimento da saúde do meu cliente", ressaltou Figueiredo Basto. Com mais esta ação, chega a 55 o total de réus envolvidos na Lava Jato.

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