Youssef retorna à carceragem e PF apura suposto vazamento
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Rubens Chueire Jr. Reportagem Local 
Curitiba - Depois de quatro dias internado, o doleiro londrinense Alberto Youssef retornou ontem pela manhã para a carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba. Ele foi internado no Hospital Santa Cruz na tarde do último sábado depois de sofrer uma forte queda de pressão arterial causada por uso de medicação no tratamento de doença cardíaca crônica.
O doleiro passou mal um dia depois da distribuição da revista Veja, que trouxe reportagem em que ele teria citado, em um de seus depoimentos, os nomes do ex-presidente Lula e também da reeleita Dilma Rousseff (PT). Ontem, a PF confirmou que abriu um inquérito para apurar o suposto vazamento de trechos dos seus depoimentos. Ninguém dá detalhes sobre o assunto, entretanto existem suspeitas de que as declarações possam ter sido usadas fora de contexto. A PF já tinha aberto outro inquérito em setembro, para investigar os supostos vazamentos de depoimentos prestados pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ainda não se sabe o resultado deste primeiro procedimento.
Durante o período de internação, o doleiro londrinense, que apresentava sinais de desidratação e de emagrecimento, passou por uma bateria de exames e foi monitorado constantemente até obter alta. Agentes da PF mantiveram escolta na instituição durante todo o tempo. Ele deixou o hospital por volta das 8h30 e, em meia hora, já estava novamente na superintendência da PF.
Youssef está detido há mais de sete meses e está depondo desde o início do mês conforme prevê acordo de colaboração premiada assinado com os procuradores do Ministério Público Federal (MPF). Ainda não há previsão de até quando ele vai continuar prestando depoimentos.
Acareação negada
Em despacho publicado ontem, o juiz Sérgio Moro indeferiu o pedido feito pelas defesas de Alberto Youssef e Leonardo Meirelles (considerado pela PF como um dos laranjas do doleiro) para realização de uma acareação entre os dois. Na semana passada, Meirelles citou, em seu interrogatório, que o doleiro mantinha relações com políticos do PSDB, incluindo o ex-senador Sérgio Guerra (morto em março) e um "conterrâneo" do doleiro, que é de Londrina. Logo após a divulgação destas informações, os advogados de Youssef criticaram as declarações e questionaram sua veracidade, solicitando a realização de uma acareação entre as partes. Em sua decisão, Moro frisa que "acareação é diligência normalmente infrutífera, em geral, reiterando os acusados suas posições e mantendo suas divergências".
O juiz ainda ressalta que "devem as defesas se preocupar com os fatos que constituem o objeto da presente ação penal, a lavagem de recursos desviados de obras da Petrobras, e não com o crime que não integra o objeto da imputação e que pode, a depender os beneficiários das supostas vantagens indevidas, ser de competência de outros juízos ou foros".
"Muito embora Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef tenham declarado que teria havido desvio de valores de obras da Petrobras para pagamento de propina a agentes públicos, esses fatos não compõem o objeto da presente ação penal", completou o magistrado.


