O empresário e doleiro londrinense Alberto Youssef recebeu em sua conta particular, no período de março de 95 a novembro de 96, pelo menos nove cheques da Prefeitura de Maringá, totalizando R$ 1,793 milhão. A informação consta do depoimento do doleiro ao Ministério Público (MP), no último dia 12, a cuja cópia a Folha teve acesso. O dinheiro, segundo Youssef, seria para pagar ‘‘empréstimos’’ feitos ao ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, preso naquela cidade. Além dos empréstimos, ele também afirmou ter ‘‘trocado’’ de US$ 200 mil a US$ 300 mil para o ex-secretário.
Beto Youssef, como é mais conhecido, está preso há duas semanas no 3º Distrito Policial de Londrina acusado de ‘‘lavar’’ R$ 120 mil desviados da Prefeitura de Londrina em licitação fraudulenta na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Além disso, ele está sendo investigado por ser o suposto responsável pela movimentação de R$ 150 milhões em 32 contas fantasmas de agências do Banestado de Londrina.
No depoimento, o doleiro confirma que conheceu o prefeito afastado de Maringá, Jairo Gianoto (sem partido). O prefeito, segundo ele, utilizava o hangar de Youssef no Aeroporto de Londrina para guardar seu avião particular. Youssef acrescentou que ‘‘não se recorda’’ de ter feito empréstimos a Gianoto; ou se a sua empresa – a Youssef Câmbio e Turismo – fez operações de câmbio com a Prefeitura de Maringá.
O doleiro acrescentou que conheceu o ex-prefeito de Maringá, Said Felício Ferreiro, e o filho dele, Alexandre. Com este último, Youssef revelou que fez operações de câmbio no período de 94 a 96. Revelou ainda que o filho do ex-prefeito de Maringá tinha nessa época uma casa de câmbio na cidade de Guaíra (158 km ao norte de Cascavel).
Em outro trecho, o documento sugere que a irmã de Youssef, Olga Youssef Soloviov, conhecida por ‘‘Flora’’ e que tem casa de câmbio em São Paulo, também fez negócios com Paolicchi. ‘‘Que (Youssef) não sabe dizer se Paolicchi tinha relação negocial com sua irmã Olga na cidade de São Paulo; que pode ter ocorrido do declarante ter solicitado a sua irmã Olga que atendesse empréstimos de Paolicchi’’, diz.
Outro trecho curioso do depoimento revela que que o doleiro fez doações ao senador Alvaro Dias (PSDB) e o deputado federal Alex Canziani, ambos do PSDB do Paraná, na campanha de 98. O senador teria utilizado aviões da empresa de táxi aéreo de Youssef – a San Marino – para viagens a Curitiba e Brasília. Mas não informa quantas viagens foram feitas nem o número de horas de vôo.
Youssef disse ainda que fez uma doação de R$ 20 mil ao então candidato Alex Canziani. ‘‘Tendo entregue ao mesmo (Alex) a quantia de R$ 20 mil, não se recordando se a doação foi em cheque ou dinheiro’’, diz trecho do depoimento. A suposta doação não foi declarado na prestação de contas do candidato junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
O doleiro afirmou que vendeu a San Marino para o empresário Renato Ferreti, de São Paulo – que a teria transformado na American Taxi Aéreo, com sede em Londrina. ‘‘O declarante (Youssef) não sabe se referida firma tem filial em Miami-EUA’’, diz. Youssef disse no depoimento que possuía as seguintes aeronaves: Chayene, Turbo Comander, Lear Jet 25, Charlie, Bonanza e Baron.

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