Youssef reafirma pagamento de propina a Vaccari
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terça-feira, 31 de março de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba Em mais um depoimento prestado à Justiça Federal do Paraná na manhã de ontem, em Curitiba, o doleiro Alberto Youssef reforçou que repassou R$ 800 mil em duas parcelas para o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto. De acordo com o londrinense pivô da Operação Lava Jato, R$ 400 mil foram entregues pessoalmente à cunhada de Vaccari, Marice Corrêa Lima, e os outros R$ 400 mil foram pagos por um de seus funcionários na porta do Diretório Nacional do PT, com sede no centro de São Paulo. Estes valores teriam sido pagos entre os anos de 2009 e 2010, conforme consta na delação do operador, e teriam tido origem em contratações para obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
"Cheguei a usar uma das empresas do seu Waldomiro (de Oliveira, laranja de Youssef) para fazer uma operação para a empresa Toshiba (Infraestrutura) onde eu pude, então, não só pagar o Partido Progressista (PP) e Paulo Roberto Costa, mas também pagar o Partido dos Trabalhadores (PT). Foram dois valores de 400 e poucos mil reais que foram entregues a mando de Toshiba ao tesoureiro João Vaccari (Neto)", afirmou.
"O primeiro valor foi uma retirada feita no meu escritório pela cunhada dele (Marice). Entreguei este valor pessoalmente, no meu escritório na Rua Renato Paes de Barros (São Paulo). O segundo valor foi entregue na porta do diretório nacional do PT pelo meu funcionário Rafael Ângulo Lopez, para um funcionário da Toshiba (de primeiro nome Piva) e este entregou o valor para o Vaccari", completou Youssef.
Além de detalhar o repasse ao PT, o doleiro ainda destacou que a maior parte destes valores operados por ele era destinada a Paulo Roberto Costa e ao Partido Progressista (PP). Pela primeira vez, entretanto, o operador mencionou a participação de outras empreiteiras no esquema, além daquelas já denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). Youssef relatou na audiência que recebeu dinheiro no exterior para pagar políticos e agentes, oriundos das empreiteiras Braskem, Odebrecht e Andrade Gutierrez. "Recebi da Brasken, Odebrecht, provavelmente UTC devo ter recebido alguma coisa lá fora. Andrade Gutierrez, para quem fiz caixa dois e da Engevix. Que eu me lembre são essas", informou, ao responder o questionamento de um dos procuradores do MPF.
E prosseguiu: "A Odebrecht teve grandes contratos na Petrobras. Primeiro RNEST (Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco) onde ela teve o consórcio Conest. Parte destes valores ela me pagou em reais vivos (em espécie) e parte em contas no exterior. Como era um consórcio, a Odebrecht pediu que a OAS pagasse parte da comissão por meio da emissão de notas pela MO e Rigidez e RCI (empresas de fachada em nome de Waldomiro)".
Questionado sobre os envolvidos no esquema, Youssef citou que o contato na Odebrecht era Márcio Faria, presidente da Odebrecht Óleo e Gás, além de César Rocha, diretor-financeiro da holding. Pela Braskem, que é do mesmo grupo da Odebrecht, o contato seria com Alexandrino Alencar.
Sobre a Andrade Gutierrez, o doleiro confirmou que realizou três operações, no final do ano de 2013. "Foi uma operação de US$ 300 mil que fiz pela DGX e duas de US$ 150 mil que não têm nada a ver com a Petrobras, e sim de caixa dois para a Andrade. Nestas transações, os contatos foram com Flávio Magalhães e com o diretor da Andrade na Venezuela, o senhor Alberto (não citou sobrenome)."
As empreiteiras citadas pelo doleiro negam veementemente o pagamento de propinas e o envolvimento de seus executivos no escândalo. A Odebrecht reiteradamente tem repudiado com veemência as suspeitas lançadas sobre sua conduta. A empreiteira nega taxativamente ter pago propinas no esquema Petrobras. Em nota divulgada anteriormente, quando seu nome foi citado, a Odebrecht destacou: "A empresa não participa e nunca participou de nenhum tipo de cartel e reafirma que todos os contratos que mantém, há décadas, com a estatal, foram obtidos por meio de processos de seleção e concorrência que seguiram a legislação vigente". (Com Agência Estado)


