Youssef levou mala de dinheiro à OAS
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba A ex-contadora de Alberto Youssef Meire Bonfim Poza confirmou ontem, ao deixar o prédio da Justiça Federal do Paraná, que o doleiro levou pelo menos uma mala com dinheiro em espécie à empreiteira OAS. "Estava com o Alberto (Youssef) e ele estava levando uma mala e disse que tinha dinheiro dentro, mas não perguntei quanto. Mas desci antes de chegar na empresa", detalhou Meire ao deixar ontem o prédio da Justiça Federal, em Curitiba.
Segundo a ex-contadora, o doleiro nunca falou sobre os valores que eram transportados nas malas encaminhadas para a empreiteira. Meire também apontou que "não conhece nenhum dos executivos da OAS pessoalmente, mas que sabia que alguns deles iam até a sede da GFD Investimento para buscar valores. Todo mundo que trabalhava lá (GFD) sabia da situação, ninguém era vítima. Todos sabiam que o Youssef era doleiro", completou. Ela ainda reforçou que presenciou as visitas dos políticos André Vargas (sem partido-PR), Luiz Argôlo (Solidariedade-BA), além do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte Filho.
Também prestaram depoimentos ontem o delegado da PF, Márcio Adriano Anselmo; os executivos da Toyo Setal, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Júlio Gerin de Almeida Camargo; e Leonardo Meirelles, apontado como laranja do doleiro por meio do laboratório Labogen. Leonardo Meirelles, proprietário do laboratório Labogen e apontado como "laranja" de Youssef, que também testemunhou ontem, afirmou que continua colaborando espontaneamente com a Justiça e com o MPF. "Falei basicamente sobre a entrada de recursos nas contas da minha empresa (Labogen) que, posteriormente foram enviados para o exterior. Já apresentei também todos os contratos fechados com empreiteiras, não somente com a OAS, para a PF e MPF e já foram apresentados à Justiça também", se limitou a dizer.
Para o advogado da empreiteira da OAS, Roberto Telhada, os depoimentos começaram a mostrar que as teses da defesa estão sendo pouco a pouco confirmados, e que a verdade vai aparecer. "Vai levar um tempo ainda porque depende de medidas que o juiz determinou ao delegado da PF para que sejam exibidos documentos que a defesa solicitou. Além disso, tem outros pedidos da defesa que devem ser avaliados pelo juiz", ressaltou. Para Telhada, os depoimentos de Meire e Meirelles não tiveram significado nenhum para a defesa.
Os procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) se manifestaram favoravelmente pelo compartilhamento com o Ministério Público de São Paulo de provas que envolvam a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) no esquema de desvio e lavagem de dinheiro liderado pelo doleiro Alberto Youssef. Em despacho encaminhado à Justiça do Paraná ontem, os procuradores Deltan Martinazzo Dallagnol e Diogo Castor de Mattos afirmaram que "a troca de informações entre as autoridades responsáveis é fundamental para o êxito das apurações´´. E informaram ao juiz Sérgio Moro que não se opõe a nenhum pedido feito pela promotoria paulista no mês passado. No final do ano passado o MP-SP abriu inquérito para apurar supostos desvios na licitação do trecho do Monotrilho entre as estações Oratório e Vila Prudente, da Linha 15. A medida teve com base informações divulgadas durante a Lava Jato.


