Youssef integra esquema nacional, diz MP
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quinta-feira, 07 de dezembro de 2000
Lino Ramos De Londrina 
As 32 contas fantasmas detectadas na agência Centro do Banestado de Londrina e atribuídas ao empresário londrinense Alberto Youssef podem ser a ramificação de um amplo e forte esquema nacional utilizado para a lavagem de dinheiro. O promotor Cláudio Esteves da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) entende que Beto Youssef é arquivo vivo sobre as operações de lavagem de dinheiro. Se ele colaborasse, seria descoberto um número incalculável de situações ilícitas, afirmou Esteves. Segundo o promotor, os R$ 150 milhões que circularam por essas contas vieram de todos os cantos do País.
O empresário londrinense foi preso anteontem acusado de lavar dinheiro desviado da prefeitura de Londrina. A prisão foi decretada na segunda-feira pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas, que acatou denúncia do Ministério Público (MP). Beto Youssef é acusado de ser o responsável pela movimentação de R$ 120 mil da conta da empresa fantasma Freitas & Dutra, em agência do Banestado de Londrina.
As investigações do Ministério Público (MP) revelaram que os nomes de diversas empresas fantasmas usadas para abertura de contas em Londrina se repetem em São Paulo, Belo Horizonte e outros municípios brasileiros. Nós reunimos indícios de que essas contas são da mesma quadrilha denunciada em Londrina, completou Esteves.
Um exemplo dessa situação é a conta aberta em nome da empresa Freitas e Meneguelli S/C Ltda, que teria como sócio Luiz Carlos de Freitas, também titular da conta aberta em nome da Freitas & Dutra. A Freitas & Meneguelli também serviu para a movimentação de recursos em São Paulo.
Nos depoimentos que embasam a ação criminal proposta pelo MP contra Youssef, gerentes e funcionários do Banestado confirmaram que as 32 contas fantasmas pertenceriam ao empresário. Todos disseram ainda que no banco havia um boato de que se o verdadeiro dono das contas fosse investigado poderia haver perigo para a vida de quem prestasse tal informação ou processos por calúnia. O superintendente regional do Banestado, José Collete, e o ex-gerente da agência Centro, Wilson Maeda, confirmaram a versão dos demais funcionários.
Maeda e Collete confessaram ao MP que as contas foram abertas a pedido do ex-diretor do Banestado em Curitiba, Gabriel Nunes Pires. Segundo Collete, Pires telefonava para Maeda e dizia que o Arthur Ênnio Frederico Júnior ex-gerente da carteira de câmbio e valores mobiliários do banco, também denunciado na ação criminal levaria os documentos para a abertura das contas especiais de interesse do banco.
De acordo com os depoimentos, essas contas eram movimentadas por Antonio Neri Romero, o Carlinhos segurança de Youssef e pelo cunhado do empresário, Eroni Miguel Peres. Todos os denunciados serão ouvidos na segunda-feira pelo juiz Arquelau Ribas.


