Curitiba - A Justiça Federal do Paraná autorizou a ida do doleiro Alberto Youssef, personagem principal da operação Lava Jato, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras na quarta-feira da próxima semana. A decisão consta de um despacho de ontem do juiz federal Sérgio Moro, e o documento ressalta que o londrinense deve ser escoltado por agentes da Polícia Federal (PF) ou, se necessário, pela polícia legislativa, sem a necessidade de utilização de algemas.
"Não sendo Alberto Youssef acusado de crimes praticados com violência ou grave ameaça, deve ser evitada a utilização de algemas na apresentação do preso. De forma desnecessária e redundante, consigno, não obstante, que a Youssef devem ser garantidos os direitos inerentes à condição de acusado/investigado, inclusive direito ao silêncio e à assistência pelo defensor constituído", diz trecho do despacho.
Apesar de sua presença ter sido confirmada, Youssef deve permanecer calado, como adiantou seu advogado, Antonio Figueiredo Basto. O defensor ressalta que o processo de delação premiada a que seu cliente está sendo submetido ainda está em curso. O doleiro está preso na carceragem da PF em Curitiba desde o dia 17 de março, quando a Lava Jato foi deflagrada, e está prestando depoimentos aos delegados e aos procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF).
"Ele (Youssef) é obrigado a manter sigilo sobre os depoimentos prestados dentro da colaboração. Estamos inclusive tentando adiar a data de sua convocação. Caso ele seja convocado depois de uma possível homologação da Justiça, ele vai prestar os esclarecimentos necessários, mas agora não é um bom momento", destacou.
Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, por exemplo, participou da CPMI da Petrobras no dia 17 de setembro, e se negou a responder todos os questionamentos feitos na sessão que durou cerca de três horas. Entretanto, a simples presença do doleiro nos corredores do Congresso Nacional deve causar calafrios a muitos parlamentares. A ligação de Youssef com representantes de diversas siglas é notória e antiga.

Expectativa
No interrogatório da ação penal que trata de desvios de recursos públicos da refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, realizado no último dia 8, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, o doleiro confirmou o pagamento de propina a políticos do PT, PP e PMDB, e a participação de diretores de grandes empreiteiras no esquema. Além disso, nos últimos dias foi noticiado que Youssef também manteve contato com políticos do PSDB. Leonardo Meirelles, um dos laranjas do doleiro, mencionou, durante seu interrogatório, a suposta ligação de seu "chefe" com um político tucano de Londrina.

Ação e reação
As declarações de Meirelles foram repudiadas pelo defensor de Youssef que inclusive peticionou na Justiça a realização de uma acareação para esclarecer estas novas denúncias. "Estamos aguardando a decisão do magistrado, mas sem dúvida queremos colocar as coisas em panos limpos", ressaltou Basto. Haroldo Cesar Nater, advogado de Meirelles, não atendeu às ligações da reportagem, entretanto, se manifestou ontem por meio de petição dirigida ao juiz Sérgio Moro, concordando com a realização de uma acareação entre as partes.
Em seu pedido, Nater ressalta que seu cliente "está disposto a participar do procedimento de acareação, sugerido por Youssef". Um trecho do documento ainda destaca que "a referida acareação deverá tratar, entre outros pontos divergentes, da questão que se refere à liderança da organização criminosa, quando o ora requerente provará que Youssef era o líder da mesma".
Moro ainda não decidiu sobre a realização de uma acareação, mas fez uma ressalva em seu despacho: "Adianto que, como é sabido, a palavra de todo acusado no processo, quer colaborador ou não, quer sob juramento ou não, de Alberto Youssef, de Leonardo Meirelles, ou de qualquer outro, será sempre avaliada tendo presente o restante conjunto probatório, sendo sempre necessária prova de corroboração em relação a declarações tomadas de possíveis criminosos, independentemente de seu conteúdo ou das pessoas por eles mencionadas".

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