Curitiba - A defesa do doleiro Alberto Youssef, um dos principais personagens da Operação Lava Jato, informou ontem que seu cliente ainda negocia os termos do acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), mas que deve promover "confissão integral dos fatos" quando os depoimentos começarem. Ou seja, a menos de uma semana das eleições, pode haver um novo alvoroço nos bastidores políticos em Brasília, provavelmente maior do que quando vazaram informações sobre a suposta delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
O londrinense mantém ligações de longa data com integrantes de diversas siglas, incluindo algumas que não fazem parte da base aliada do governo. "A partir do momento que ele decidiu fazer um acordo tem a responsabilidade de colaborar totalmente com a Justiça e ele sabe disso. Quem for apontado por ele (Youssef) terá o direito de se defender. Por isso vai responder a todos os questionamentos que serão feitos pelos procuradores. Será um processo muito longo, muitos depoimentos, sabemos que não será nada simples. Ainda estamos discutindo e, até o final da semana podemos definir os últimos detalhes do acordo", ressaltou Antonio Figueiredo Basto, advogado do doleiro.
Nas conversas com o MPF, a defesa de Youssef pretende agrupar os processos da Operação Lava Jato e de fraude no extinto banco Banestado para bater o martelo. Conforme Basto, a ideia é restabelecer, junto com esta delação, o benefício do acordo do caso Banestado, suspenso pela Justiça em maio deste ano após o doleiro ter voltado a praticar atividades ilícitas.
Como Youssef voltou a ser preso na Lava Jato, a Justiça reativou os processos que estavam suspensos desde 2004, quando foi assinado o primeiro acordo. No último dia 17 o doleiro foi condenado a quatro anos e quatro meses de prisão por corrupção ativa. Conforme o MPF, para conseguir um financiamento de US$ 1,5 milhão ele teria pago propina de R$ 131 mil ao operador internacional do Banestado. "É um processo delicado porque tanto meu cliente quanto a força-tarefa estão analisando os pontos do acordo. É uma conversa constante e estamos negociando os termos. Mas sim, vamos tentar agrupar os processos", afirmou.
O doleiro é réu em cinco ações penais da Lava Jato, mas, no último dia 26, o MPF pediu, em suas alegações finais, a absolvição de Youssef pelo crime de evasão de divisas e lavagem de dinheiro do tráfico de drogas por falta de provas.

Saúde
O advogado ressalta que, além da pressão familiar, a saúde de seu cliente está debilitada, o que contribuiu bastante para que a decisão de procurar o MPF para fechar um acordo fosse tomada. "Ele já teve duas paradas cardíacas nos últimos anos, e teve que ser encaminhado para hospitais de Curitiba por duas vezes nestes últimos meses. O juiz do caso sabe disso e os procuradores também. Perdeu mais de 20 quilos, então isso também acabou pesando em sua decisão", contou Basto.

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