Curitiba - Pela primeira vez desde a deflagração da Operação Lava Jato, em março deste ano, a defesa do doleiro londrinense Alberto Youssef comentou a possibilidade de tentar fechar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF). Na tarde de ontem, após sair de mais uma audiência realizada na Justiça Federal do Paraná, o advogado Antônio Figueiredo Basto informou que foram feitas propostas a seu cliente, que está preso na carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba.
Até o momento, a defesa de Youssef não tinha sequer levantado esta possibilidade, pois entrou com algumas medidas no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), questionando a competência da Justiça do Paraná no andamento do caso. "(A delação) É uma hipótese que não podemos descartar. Meu cliente está analisando esta possibilidade, foi procurado, mas ainda não há nada fechado. Ainda tem os habeas corpus impetrados que precisam ser analisados, então, por enquanto, precisamos aguardar. Entretanto, é ele quem vai decidir, quem dá a última palavra", disse Basto.
O advogado não detalhou as propostas porque, segundo ele, são sigilosas. Basto disse que não se nega a negociar um acordo para Youssef e ainda ressaltou que os familiares do doleiro tem conversado com ele e manifestado interesse numa possível colaboração. "A família é favorável e isso pode ser um peso decisivo", afirmou Basto.
O MPF não está comentando possíveis acordos de delação premiada. Entretanto, o órgão tem os dois pés atrás quando se trata de Youssef, pois já fechou um acordo de delação premiada no passado recente, referente ao Caso Banestado. Youssef voltou a atuar como doleiro.
A possibilidade surge duas semanas depois da imprensa vazar que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa estaria fechando um acordo com as autoridades. Outro acordo de delação que está para ser fechado seria com Ediel Viana da Silva, que seria o braço direito do doleiro Carlos Habib Chater.

AUDIÊNCIA
A audiência realizada ontem foi referente à denúncia pela prática de crimes de tráfico internacional de drogas e de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico. Pela primeira vez desde que as audiências da Lava Jato começaram, o doleiro Alberto Youssef se manifestou. Além dele, os réus nesta ação são Rene Luiz Pereira, Sleiman Nassim El Kobrossy, Maria de Fátima Stocker, Carlos Habib Chater e André Catão de Miranda. Maria está presa na Espanha; e Sleiman segue foragido. Rene foi o único que permaneceu em silêncio na audiência.
Youssef declarou que nunca participou de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas, e que manteve relação apenas com Carlos Habib Chater. Além disso falou que não tem conhecimento sobre os demais réus da ação. Segundo ele, só veio a conhecer o Rene e o André na carceragem da PF.
Sobre Chater, Youssef disse que o conhece desde 2007, como empresário do ramo de postos de combustíveis, mas que não teve nenhuma relação comercial com ele. Se limitou a dizer que eles trocaram alguns favores.

mockup