Youssef estava fazendo graça, diz André Vargas
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de abril de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
O deputado federal André Vargas (PT-PR) afirmou que a conversa na qual o doleiro Alberto Youssef diz que ambos terão sua "independência financeira" foi uma brincadeira à qual ele não reagiu. Trecho da conversa gravada pela Polícia Federal (PF), tratando da formalização de uma parceria entre a empresa Labogen e o governo federal, foi reproduzido em reportagem da revista Veja, publicada no início deste mês. Na última edição da revista IstoÉ, Vargas comenta o episódio. A publicação traz ainda reportagem sobre inquérito que apura suposta falsidade ideológica em prestação de contas de campanha com doações que não teriam existido de fato, numa manobra para lavagem de dinheiro.
A ligação entre Vargas e Youssef, preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, veio à tona em reportagem sobre o empréstimo de um avião do doleiro para uma viagem do deputado ao Nordeste. Porém, a situação se complicou mais quando a imprensa começou a revelar trocas de mensagens eletrônicas, na qual Youssef afirma ao parlamentar que "precisa captar".
Em um diálogo eletrônico interceptado, ele diz ao deputado: "Acredite em mim. Você vai ver o quanto isso vai valer. Tua independência financeira e nossa também, é claro". A conversa tratava de negócios que a empresa Labogen, que seria do doleiro, pretendia firmar com o Ministério da Saúde.
À IstoÉ, Vargas afirma que a conversa não foi toda reproduzida, mas que ele ficou quieto quando deveria ter refutado. "Meu erro foi ficar em silêncio quando ouvi isso. Não imaginava que estava sendo gravado. Deveria ter dito: "Vai à PQP!...". Mas fiquei quieto e o silêncio foi gravado", diz o deputado. Ainda de acordo com ele, a transcrição traz, em seguida, um "kkkkk". "Ele (Youssef) estava fazendo graça."
Vargas também nega que tenha agido a favor da Labogen esperando dinheiro de campanha. Disse apenas que "deu orientações", não marcou reunião em Brasília e defende apuração sobre a suspeita de ser empresa de fachada.
Após as suspeitas, Vargas se tornou alvo de um processo no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro e renunciou ao cargo de vice-presidente da Casa.
Inquérito no STF
A reportagem da última IstoÉ indica ainda a existência de inquérito instaurado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do Ministério Público Federal (MPF), a respeito da prestação de contas de campanha do parlamentar. A suspeita é que as doações sejam, na verdade, lavagem de dinheiro, o que configuraria falsidade ideológica para fins eleitorais.
De acordo com a revista, mais de 80 testemunhas negam terem doado dinheiro para Vargas, num universo de mais de 200 pessoas que teriam sido utilizadas para justificar as contas de campanha do petista. A prática, segundo a revista, viria desde 2006 e se repetiu em 2010.
A PF considera a movimentação da conta de campanha estranha, com valores que dificilmente passavam de R$ 2 mil. Dos R$ 300 mil declarados em 2006 à Justiça Eleitoral, ressalta a reportagem, R$ 100 mil vieram de doações entre R$ 20 e R$ 60. No rol dos doadores estão 81 vigilantes da Universidade Estadual de Maringá, que negam terem feito os depósitos. Eles entraram com ação por danos morais e quase a metade recebeu indenização. Na entrevista, Vargas refuta a acusação de lavagem de dinheiro, dizendo que "não faz sentido". "Deram contribuições de R$ 20. Alguém vai fazer alguma coisa para lavar R$ 20?", disse.


