Youssef entrega vasta documentação ao MPF
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sexta-feira, 03 de outubro de 2014
Agência Estado 
São Paulo - O doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato, está entregando ao Ministério Público Federal (MPF) farta documentação para comprovar todas as revelações de sua delação premiada. Youssef começou a depor quinta-feira, voltou a depor ontem, vai depor hoje e domingo, ininterruptamente. Não há prazo para terminar o relato do doleiro que criou sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e corrupção que se estendeu para a Petrobras e outros setores públicos.
Os investigadores avaliam que "Youssef sabe muito, vai apontar empreiteiras, empresários, políticos". Um investigador disse que "uma contribuição desse tamanho ninguém sabe onde ela vai parar".
Os procuradores da República que compõem a força tarefa montada para desvendar a organização criminosa querem informações sobre pelo menos 750 contratos públicos que têm as digitais de Youssef, 17 deles relativos a empreendimentos da Petrobras, na gestão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal petrolífera. A investigação aponta, preliminarmente, que Youssef recebeu comissões no valor aproximado de R$ 160 milhões no âmbito dos 17 contratos com a Petrobras.
Paulo Roberto Costa já fez delação. Apontou pelo menos 32 parlamentares como supostos beneficiários de propinas. Na última quarta-feira, dia 1º, o Supremo Tribunal Federal homologou o acordo do ex-diretor com o Ministério Público Federal e ele recebeu o benefício da prisão domiciliar. Durante um ano terá que ficar em casa, no Rio, sob monitoramento com uma tornozeleira eletrônica.
Youssef também já fez delação, mas no âmbito de outro escândalo, o Banestado - esquema de evasão de divisas nos anos 1990. Em dezembro de 2003 ele contou parte do que sabia e ficou em liberdade. Ao voltar ao mundo do crime, capitaneando a Lava Jato, ele perdeu os benefícios daquela delação e a Justiça até reabriu duas ações penais que haviam sido "congeladas".
Quando a Lava Jato foi deflagrada, em março, a Polícia Federal encontrou em poder do doleiro relatório intitulado "planilha de projetos", documento que mostra indícios de que Youssef intermediou 750 projetos entre grandes construtoras e órgãos públicos, no período de fevereiro de 2009 a maio de 2012. A planilha revela movimentos do doleiro em setores da administração pública.
A força tarefa de procuradores da República quer saber quem são os contatos do doleiro nos órgãos públicos, por onde ele circulou, quem recebeu propinas, contas para onde foram transferidos valores ilícitos. Ele tem documentos sobre essas transações. No acordo de delação que firmou com a Procuradoria ele comprometeu-se a entregar todos os papéis de que dispõe em seus arquivos.
A cada situação que apontar, a cada contrato que fizer menção, a cada episódio de corrupção e lavagem de dinheiro que confessar, Youssef se compromete a juntar documentação para comprovar o que diz. "Dessa vez o interesse público vai ser muito bem atendido", avalia um investigador.
Segundo esse investigador, a delação de Youssef será "infinitamente mais robusta" que a delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.


