O doleiro e empresário londrinense Alberto Youssef foi submetido ontem de manhã a um exame grafotécnico na sede da Polícia Federal (PF) de Londrina. O delegado responsável pelas investigações, Sandro Roberto Viana dos Santos, explicou que o material será encaminhado ao Setor de Criminalística (Secrim) da PF em Curitiba, onde serão analisados os padrões da grafia do acusado. ‘‘Vamos fazer comparações para saber quem realmente assinava os cheques depositados nas contas correntes e quem realmente assinava os contratos, utilizados para a abertura dessas contas correntes’’, explicou. Na PF tramitam inquéritos sobre 30 contas fantasmas abertas no Banestado de Londrina.
O material grafotécnico de Youssef e dos demais envolvidos (aproximadamente 20 pessoas, incluindo o ex-superintendente regional do Banestado em Londrina José Collete) será confrontado com documentos apreendidos no escritório do contador Ilvino Fazzoli, onde foi confeccionada a documentação para a abertura das contas. Segundo a PF, os acusados abriram diversas empresas frias em nome de ‘‘laranjas’’ para realizar a movimentação criminosa. A grafia dos acusados também será comparada aos documentos utilizados para a abertura das contas, além de contratos sociais do Cartório de Registro de Títulos e Documentos.
Youssef é apontado como o principal responsável pela movimentação dessas contas. Somente em uma conta suspeita circularam mais de R$ 15 milhões. O delegado acredita que o volume de recursos que transitou por essas contas é muito superior ao comentado até agora (R$ 150 milhões).
Os crimes atribuídos à suposta quadrilha são a falsificação de documentos, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e crime contra a ordem tributária. De acordo com o delegado, antes de indiciar os suspeitos, a PF pretende tipificar a conduta de cada acusado. Embora o trabalho esteja chegando à fase final, Santos acredita que a análise grafotécnica feita pelo Secrim será demorada.
Até agora Youssef está indiciado no inquérito sobre a conta aberta em nome da empresa Freitas & Dutra, por onde teriam circulado R$ 120 mil desviados da prefeitura por meio de uma licitação fraudulenta. O indiciamento foi solicitado pelo procurador da República Mário Leite. Segundo o delegado, somente após o trabalho técnico haverá o indiciamento de todos os envolvidos. ‘‘O indiciamento de Alberto Youssef foi prematuro porque foram apenas alguns crimes vislumbrados agora. Possivelmente teremos que fazer um remendo nesse indiciamento para qualificá-lo em outros crimes’’, afirmou.
Em dezembro do ano passado, Youssef ficou preso por 19 dias, ao ser denunciado pelo Ministério Público (MP), com base na conta da Freitas & Dutra. Em abril deste ano, ele ficou mais nove dias na prisão pelo mesmo motivo. Em uma outra ação sobre o desvio de dinheiro público, o MP pediu novamente a prisão do doleiro, acusado de lavar parte dos recursos desviados da Comurb (atual CMTU). Todo o procedimento terá de ser repetido pela PF, porque durante as investigações foram descobertas mais sete contas fantasmas atribuídas à mesma quadrilha.

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