Curitiba - Nas oitivas realizadas ontem pela manhã, e que duraram cerca de três horas, foram ouvidas como testemunhas de acusação um agente federal, além do delegado responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, que apura um mega esquema de lavagem de dinheiro de cerca de R$ 10 bilhões. Youssef e Costa participaram como ouvintes e foram escoltados da carceragem da PF até a sede da Justiça Federal em Curitiba. A Justiça não se manifestou sobre o teor das audiências de instrução, entretanto, os advogados de defesa se mostraram satisfeitos e questionaram as provas apresentadas até agora.
"A audiência foi muito boa, a prova apresentada pela acusação não é uma prova robusta, pelo contrário, é extremamente frágil e precária. O delegado falou da sua própria investigação e tecnicamente significa dizer que ele não é propriamente uma testemunha. Ele tentou de alguma forma legitimar a sua atuação, mas há vários questionamentos sobre a legalidade destas provas", disse Nélio Machado, advogado de Costa. "É estranho que esta denúncia tenha se concentrado em uma só pessoa, um só diretor da Petrobras, porque na estatal é impossível que um diretor isoladamente tome deliberações, por exemplo, do alcance sobre uma licitação. Por isso digo que é uma ação penal injusta, de ficção", completou.
Figueiredo Basto, advogado de Youssef, apontou que os depoimentos reforçaram o que a defesa já sabia: a falta de prova material. "Ficou demonstrado que não existe prova nenhuma de corrupção em relação a Petrobras, isso foi dito pelo delegado e pela outra testemunha. Já havíamos alertado que este fato não tinha prova material e hoje as próprias testemunhas de acusação confirmaram isto. Na minha opinião a ação penal deve ser concluída pela improcedência da denúncia com a absolvição deles", ressaltou.
Basto também adiantou que já ingressou com habeas corpus no Tribunal Região Federal da 4ª Região (TRF4), pedindo a suspensão da prisão, e que também entrou com outra solicitação, visando a anulação de todo o processo.
Na parte da tarde foram realizadas as oitivas de testemunhas de acusação referentes à ação penal que envolve a atuação das doleiras Nelma Kodama e Iara Galdino da Silva. Em mais uma hora e meia de audiência, foram ouvidos outros dois policiais federais. As doleiras também deixaram suas celas para participar como ouvintes da sessão. Na saída da audiência, o advogado de Kodama, Marden Maués, disse que sua cliente pretendia declarar os 200 mil euros que carregava em sua roupa íntima quando foi presa no aeroporto de Guarulhos, mas não o fez porque o posto da Receita Federal estava fechado.
Nesta ação, além das doleiras, também são réus João Huang, Cleverson Coelho de Oliveira, Juliana Cordeiro de Moura, Maria Dirce Penasso, Rinaldo Gonçalves de Carvalho, Luccas Pace Júnior e Faiçal Mohamed Nacirdine. Os dois últimos tiveram o alvará de soltura expedidos anteontem. Nelma e Iara seguem presas.
Na próxima semana está prevista, para o dia 18, sexta-feira, audiência para a oitiva das testemunhas de defesa dos processos contra Youssef, Costa, Kodama e Iara. Para o dia 22, a Justiça Federal marcou o depoimento de testemunhas de acusação no processo que envolve o doleiro Carlos Chater. (Rubens Chueire Jr. e Roger Pereira)

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