Youssef depõe sobre desvio de R$ 2 milhões
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segunda-feira, 08 de março de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O empresário e doleiro Alberto Youssef foi interrogado ontem pela juíza substituta da 4 Vara Criminal, Fabiana Ayres Bressan, na ação penal que denuncia o desvio de R$ 2 milhões dos cofres da Prefeitura de Londrina.
A audiência estava agendada para as 9h. Youssef chegou ao Fórum acompanhado de seu advogado Luiz Gustavo Rodrigues Flores às 9h10 e se dirigiu à 1 Vara de Família. ''Ele tinha assuntos a resolver mas que correm em segredo de justiça'', justificou o advogado, que não autorizou a divulgação das fotos feitas no local. Questionado sobre o interrogatório, Flores afirmou que a audiência havia sido transferida. ''É uma audiência normal. Ele não foi localizado e seria interrogado hoje (ontem). Aí ficou designado para amanhã (hoje), às 9h. É um interrogatório simples, normal, não tem nada de novidade'', afirmou. Segundo uma funcionária do cartório, não foi solicitada a transferência do interrogatório. ''A juíza está aguardando'', afirmou.
Apesar de garantir que a audiência havia sido transferida, por volta das 10h15, Flores e Youssef ainda aguardavam no estacionamento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), anexo ao prédio do Fórum. Eles retornaram ao prédio, mas ao verem os repórteres, o advogado e o doleiro correram em direção ao carro e foram embora. Após a tentativa de despistar a imprensa, Youssef foi ouvido pela juíza à tarde. O local e o horário da audiência não foram informados. A juíza também não quis comentar o interrogatório.
Youssef foi supostamente ouvido como um dos 18 réus da ação penal ajuizada pelo Ministério Público em maio de 2001. Conforme a denúncia, em maio de 1999, teriam sido transferidos R$ 2 milhões da conta do Conselho de Gestão Financeira (Cogefi) criada para gerir os R$ 186 milhões da venda de ações da Sercomtel para a conta geral da prefeitura. Desta conta teriam saído R$ 450 mil para o Fundo de Urbanização de Londrina (FUL) ''a fim de possibilitar a subtração'', diz a ação. Destes recursos, R$ 435 mil teriam sido destinados para o pagamento de uma licitação fraudada. Deste total, R$ 50 mil teriam sido depositados na conta de Youssef. ''Consciente de que o mesmo (cheque no valor de R$ 50 mil) representava parte da importância subtraída do erário público municipal de Londrina no dia 05 de maio de 1999 e ao fazê-lo transitar em sua conta, onde depositou-o no dia 17 de maio'', relata a denúncia.


