Youssef cumpre pena em regime de segurança
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segunda-feira, 28 de junho de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O doleiro Alberto Youssef, condenado na semana passada pela Justiça Federal a cumprir sete anos de reclusão em regime semi-aberto está recolhido em local especial e mantido sob sigilo por medida de segurança. Youssef é réu colaborador da Justiça e teme represálias por ter aceitado delatar pessoas que participaram do esquema de remessa ilegal de dólares para o exterior através das chamadas contas CC-5, aparentemente legais e que foram criadas com o intuito de beneficiar estrangeiros residentes no Brasil. Pela pena, ele deveria estar internado na Colônia Penal Agrícola, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Entretanto, o acordo de ''delação premiada'' possibilitou a transferência dele para um outro local.
Youssef foi condenado pelo crime de sonegação fiscal no valor de R$ 33,3 milhões em impostos e contribuições. O valor foi apurado na Receita Federal de Londrina durante a instrução do processo penal. Ele foi condenado ainda a pagar uma multa de 9.568 salários mínimos, o equivalente a R$ 2,5 milhões. Para estabelecer os limites da pena, a Justiça Federal levou ainda em consideração o fato de que a prisão de Youssef, em novembro de 2003, ter levado ao ''esclarecimento do envolvimento de agentes públicos estaduais em crimes de corrupção e crimes contra o sistema financeiro que ainda estão sob investigação''.
O doleiro é parte em 71 processos que estão tramitando no Paraná. A maioria deles por evasão ilegal de divisas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos das prefeituras de Maringá e de Londrina e da Companhia Paranaense de Energia (Copel). O advogado de Youssef, Antônio Augusto Figueiredo Basto, disse ontem que o acordo com o Ministério Público (MP) federal e com a Justiça Federal foi preponderante para evitar uma condenação que poderia chegar a mais de 50 anos. ''Se ele pegasse pena de um ano em cada processo, já teríamos prisão máxima para Alberto Youssef. O acordo foi excelente para a defesa e para as investigações judiciais'', avaliou o criminalista.


