Curitiba - Em depoimento prestado ontem à tarde na Justiça Federal do Paraná, como testemunha de acusação arrolada pelo Ministério Público Federal (MPF), Alberto Youssef confirmou que repassou dinheiro em espécie diretamente para André Vargas (sem partido-PR) ainda na época em que ele era deputado federal, no final de 2013. O doleiro afirmou que fez pelo menos uma operação financeira a pedido do irmão do ex-parlamentar, Leon Vargas, mas não chegou a especificar o valor disponibilizado. Entretanto, as investigações apontam que Youssef teria repassado cerca de R$ 2,3 milhões em espécie para o ex-deputado. O valor teria sido encoberto pela emissão de notas fiscais falsas em favor da empresa IT7 Sistemas Ltda., por serviços que não foram prestados. As notas foram emitidas pelas empresas da ex-contadora de Youssef Meire Bonfim Poza.
"Depois da operação realizada conversei com o Leon e ele me disse que iria deixar a quantia disponibilizada ao irmão (André Vargas)", disse Youssef durante o depoimento. "Desta forma, disponibilizei os valores em espécie e entreguei parte diretamente a André Vargas, em Brasília; e a outra parte foi entregue no escritório do então deputado José Mentor (PT-SP), que ficava localizado próximo à Praça da Árvore, em São Paulo. Foi o Vargas que me pediu para entregar neste endereço", completou o doleiro.
Conforme a PF, existem notas fiscais e trocas de e-mails envolvendo a então contadora do doleiro, Meire Pozza, e a IT7 Soluções. A empresa possui contratos milionários com órgãos públicos, entre eles com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e com a Caixa Econômica Federal (CEF).
Durante sua oitiva, Youssef ainda destacou que conhece Vargas há mais de 20 anos e que chegou a ajudar o ex-deputado em sua primeira candidatura a vereador em Londrina. "Se disser que somos amigos vou estar dizendo até demais, mas somos bons conhecidos e mantínhamos um bom relacionamento. Não me lembro de como se deu o primeiro contato. Há muito tempo atrás ajudei na sua campanha a vereador com algo em torno de dois mil cruzeiros. Depois só vim a me relacionar com ele depois, agora em 2013", ressaltou o doleiro. Nesta época inclusive, afirmou Youssef, foi quando ele pediu para Vargas ajudá-lo para que o Ministério da Saúde recebesse uma visita de representantes de uma empresa que ele estava adquirindo.
O delator falou dentro do processo que já tramita na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, e que apura repasses feitos pela agência Borghi Lowe Propaganda e Marketing Ltda., para contas das empresas Limiar e LSI, e que eram controladas por André Vargas e seu irmão Leon. Ao sair da audiência a advogada de Vargas, Nicole Trauczynski, apenas falou que o depoimento foi tranquilo e que Youssef não tem nenhuma relação com as tratativas envolvendo diretamente os contratos com a Caixa Econômica Federal (CEF), objeto da ação penal em curso na Justiça. "Numa rápida avaliação, a audiência foi positiva" se limitou a dizer.

PRISÃO PREVENTIVA
O juiz federal Sérgio Moro converteu ontem a prisão temporária de Alexandrino de Salles Alencar, ex-diretor da Odebrecht, em prisão preventiva, após o MPF se manifestar pela continuidade da prisão do investigado. Em seu despacho, o magistrado ressalta que, além de grande quantidade de provas colhidas contra o suspeito, "não só o colaborador Alberto Youssef relaciona diretamente Alexandrino com o pagamento de propinas, mas também o subordinado do operador, Rafael Ângulo Lopez".

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