Youssef conclui depoimentos para delação
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quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - O principal personagem da operação Lava Jato terminou ontem seus depoimentos que fazem parte do acordo de delação premiada fechado com procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF). Alberto Youssef prestou mais de 100 horas de esclarecimentos na sede da Polícia Federal (PF), dando detalhes do megaesquema de lavagem de dinheiro, além de fornecer informações sobre a engrenagem da estrutura de corrupção que desviava recursos públicos de contratos fechados com a Petrobras. O fim dos depoimentos foi confirmado pela assessoria da PF.
A delação premiada é um acordo firmado com o MPF pelo qual o réu ou suspeito de cometer crimes se compromete a colaborar com as investigações e denunciar os integrantes da organização criminosa em troca de benefícios, como a redução da pena em caso de condenação, por exemplo.
A expectativa da defesa do doleiro é que num prazo de até dez dias o acordo de delação seja homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como ocorreu com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Ele também fez um acordo de delação premiada e atualmente cumpre prisão em regime domiciliar no Rio de Janeiro, usando uma tornozeleira eletrônica.
O acordo precisa ser homologado pelo STF porque envolve pessoas com foro privilegiado, ou seja, políticos. E, se os depoimentos de Costa já causaram grande alvoroço nos bastidores de Brasília, imagina-se que o conteúdo das declarações de Youssef sejam ainda mais bombásticas. O londrinense mantém ligações de longa data com integrantes de diversas siglas, incluindo algumas que não fazem parte da base aliada do governo.
Assim que o acordo com o MPF foi firmado, no final de setembro, a defesa de Youssef confirmou que ele faria uma "confissão integral" dos fatos a partir do momento em que os depoimentos começassem. Ele começou a prestar esclarecimentos no dia 2 de outubro, sempre acompanhado de um advogado, além de um delegado da PF e de um dos procuradores da força-tarefa.
O doleiro está preso na carceragem da PF em Curitiba desde o dia 17 de março e já teve três internações decorrentes de problemas cardíacos. Este problema de saúde, inclusive, fez com que os depoimentos da delação demorassem mais tempo do que o esperado.
"Acredito que a delação deve ser homologada em uma semana, entretanto, o conteúdo só terá valor quando tudo for complementado com outras provas na fase judicial. A palavra sozinha não serve de prova, só em juízo que vai ser feita a avaliação da importância dos depoimentos, e só ai para avaliar o grau do benefício e que regime ele vai pegar (fechado, semiaberto)", ressaltou Antonio Figueiredo Basto.
Segundo a defesa, a expectativa é de que Youssef consiga cumprir a pena que lhe for imposta em regime aberto, "pela idade e problemas de saúde e pela efetividade da colaboração". "Ele merece isso da Justiça. A colaboração está sendo efetiva e se trata de um escândalo de corrupção que não me lembro de tamanha envergadura para o País. Youssef era usado por outras pessoas para que o esquema pudesse acontecer, era apenas uma peça de toda a engrenagem. Meu cliente não comandava tudo, não é possível, ele não é agente político e não trabalhava para nenhuma empreiteira. Por isso a acusação de extorsão também é absurda porque ele não tinham poder nenhum", reforçou Basto.


