Youssef admite negócios com Paolicchi
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quarta-feira, 13 de dezembro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O empresário e doleiro londrinense Alberto Youssef revelou ontem que o ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, pagava empréstimos pessoais com cheques emitidos pela Prefeitura de Maringá. O doleiro prestou depoimento durante quase quatro horas ontem à tarde na Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina. Ficou evidente que Paolicchi pagava despesas pessoais com o dinheiro desviado da prefeitura de Maringá, comentou o promotor Cláudio Esteves, que ouviu o doleiro por carta-precatória juntamente com os promotores José Aparecido da Cruz, de Maringá, e Bruno Galatti, de Londrina.
Tanto Youssef como Paolicchi estão presos. De acordo com Cruz, o doleiro disse que emprestou dinheiro a Paolicchi entre 1994 e 1996. Ele não soube precisar o valor dos negócios, mas destacou que se tratavam de milhões de reais. Ainda segundo o depoimento, os cheques da prefeitura eram depositados pelo ex-secretário na conta pessoal do doleiro, como pagamento dos empréstimos. Youssef alegou desconhecer que o dinheiro vinha dos cofres públicos.
Ele colaborou e muito com o MP no sentido de confirmar que recebeu o dinheiro desses desvios. Não só ele como também a família, o cunhado, que participavam do esquema, disse Cruz. O promotor informou que o MP vai fazer diligências para tentar encontrar outras pessoas de Londrina citadas por Youssef e que estariam envolvidas com os desvios. Mas não quis revelar nomes. A participação (do doleiro) foi recebendo o dinheiro. Não sabemos se ele lavava esse dinheiro, acrescentou.
Youssef também revelou aos promotores que, em um desses empréstimos, recebeu um cheque de R$ 56 mil de Paolicchi. Na sequência, segundo o depoimento, o cheque foi depositado por empréstimo na conta do Clube Atlético Paranaense. O doleiro também teria mantido negócios com o clube no perído de 94 a 96.
O advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, confirmou que seu cliente conhecia Paolicchi e fez alguns negócios pessoais com ele. Mas não teve nenhum negócio com a prefeitura de Maringá, afirmou. Gomes Filho disse também que o doleiro não foi sócio de Paolicchi em um empresa de taxi aéreo como investiga o MP. Segundo ele, o ex-secretário apenas usava o hangar do doleiro no aeroporto de Londrina para guardar seus aviões. Apenas isso, alegou o advogado, acrescentando que seu cliente já vendeu a empresa aérea.
Youssef está preso há oito dias em cela comum do 3º Distrito Policial de Londrina acusado de lavar R$ 120 mil desviados da Prefeitura de Londrina em licitação fraudulenta realizada na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Além de envolvimento com Paolicchi e a lavagem dos R$ 120 mil, ele é acusado de ser o responsável por 32 contas fantasmas do Banestado que movimentaram, somente entre maio de 98 a janeiro de 99, R$ 150 milhões. Anteontem, o TJ negou recurso para libertar o empresário. Já Paolicchi está detido há cinco dias em Maringá. Ele é acusado de ter desviado R$ 3,1 milhões dos cofres públicos.


